Bourdain se maravilhou com as cores e comida da região mais vegetariana da Índia


Anthony Bourdain
11 de setembro de 2020 às 05:00 | Atualizado 11 de setembro de 2020 às 19:25

A CNN Brasil exibe nesse domingo (13), às 18h30, o segundo episódio de "Anthony Bourdain", um dos programas de gastronomia e viagem de maior prestígio já produzidos na televisão mundial. Esta edição mostra a viagem do chef a Punjab, estado indiano que faz fronteira com o Paquistão e que é considerada a região mais vegetariana de toda Índia.

Lá, Bourdain comeu muito pão e muita comida de rua antes de ir tomar um chá em Shimla, antiga capital da Índia Britânica, que guarda segredos dos tempos em que o país era uma colônia inglesa.

Confira, abaixo, o relato escrito pelo próprio chef.

PUNJAB, abril de 2014 — Na Índia (e no estado de Punjab em particular), a primeira coisa que você nota, a única coisa que fica com você, são as cores. Eles estouram, saltam diretamente em cima de você. É como se alguém, pouco antes de você sair do avião, tivesse mudado as lentes em sua cabeça e aumentasse seus receptores de cores para sete para, digamos, 14. Você entende perfeitamente por que os Beatles queriam tomar ácido, vir aqui e ficar olhando as coisas. Porque é lindo e há cores. As cores, cara, queimam direto em seus olhos e em seu cérebro. Não é necessário estar com o guru Maharishi para ver isso.

Depois de reconhecer esse fato, nos certificamos, ao definir os vários equilíbrios de cores para este programa, de elevar o cenário, de ter certeza de que ele vai aparecer para vocês como foi para nós. Elétrico. Lisérgico. E sempre lindo.

Seremos perdoados, espero, por (mais uma vez) roubar o trabalho de um grande diretor de cinema na sequência inicial. Pode chamar isso de homenagem.

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Eu geralmente não me importo muito com o que as pessoas tiram dos meus programas. Claro, espero que elas gostem do que veem. Espero que se divirtam e se interessem, que achem as imagens bonitas ou marcantes. É bom (muito bom) quando as pessoas percebem o bom trabalho técnico dos diretores de fotografia, dos editores e produtores. No entanto, não sou muito de tentar inspirar, “iluminar” ou educar alguém. Isso está bem longe da minha cabeça naquele momento em que checo que minha bagagem de mão não tem líquidos ou géis; que meu laptop está fora da bolsa e dentro da bandeja de plástico, e que já tirei os sapatos e o cinto.

Mas, com este episódio, no Punjab, ficaria muito feliz se mais algumas pessoas tivessem uma imagem mais clara da religião sikh. Quem são os sikhs e quem eles não são; um pouco sobre os conceitos centrais, as intenções e os princípios de sua fé. O grau em que nós, no Ocidente (eu incluído), ignoramos essas coisas é espetacular.

Fiz muita piada com os vegetarianos ao longo dos anos e frequentemente eles me dizem que eu os “odeio”. Isso não é verdade. Eu desdenho e desprezo (ok) alimentos que são feitos com ideologia ou uma visão de mundo estreita como primeira prioridade. Fico infeliz e até bravo quando um restaurante que afirma celebrar legumes e verduras de verdade ignora totalmente as estações do ano, as condições de maturação que tornam os vegetais interessantes e maravilhosos em primeiro lugar – quando tais lugares, com determinação e malícia, matam os vegetais, sacrificando cenoura após cenoura, soja após soja, relegando-as a um mingau lamacento e monocromático.

Não é assim na Índia. Na Índia, a comida vegetariana é geralmente algo alegre e festivo. Na Índia, a gente encontra cores vivas, texturas extremamente variadas, grandes seleções e combinações emocionantes de especiarias e sabores assertivos e deliciosos, sempre acompanhados por pães maravilhosos e feitos na hora. Eu poderia virar um vegetariano feliz por uma semana – ou mesmo por algumas semanas. Espero que gostem do programa. E lembrem-se: não deixem de comer seus legumes e verduras!

(Texto traduzido. Clique aqui e leia o original em inglês).