Esta é a comunidade mais saudável dos Estados Unidos; saiba o motivo

Los Alamos recebeu uma pontuação perfeita em vários índices, incluindo qualidade da água potável, moradias, educação e lazer

Kristen Rogers da CNN
22 de setembro de 2020 às 11:40
Los Álamos, em Novo México, nos Estados Unidos
Foto: CNN

Com suas vastas cadeias de montanhas, vida selvagem diversificada e ar puro, o condado de Los Alamos, no estado do Novo México, foi classificado como a comunidade mais saudável dos Estados Unidos em 2020.

Localizado a cerca de 65 quilômetros de Santa Fé, a capital do estado, o condado abriga o Laboratório Nacional de Los Alamos, que desenvolveu as primeiras bombas atômicas durante a Segunda Guerra Mundial. Los Alamos recebeu uma pontuação perfeita em vários índices, incluindo qualidade da água potável, disponibilidade de moradias populares, acesso a parques e população com nível de educação avançado, de acordo com o relatório anual de classificação U.S. News Healthiest Communities (Comunidades mais saudáveis dos EUA), publicado na terça-feira (22).

O sol se põe sobre o condado de Los Alamos no outono de 2018.
Foto: Leslie Bucklin

O condado de Los Alamos também foi classificado entre os melhores em baixa segregação racial (em 3º lugar) e baixas internações hospitalares evitáveis (21º).

“Um ambiente saudável é parte do que definitivamente contribui para Los Alamos ser uma comunidade saudável”, afirmou Sara Scott, presidente do conselho do condado de Los Alamos (cargo similar ao de um presidente da câmara dos vereadores no Brasil), que não se envolveu no relatório. “As pessoas têm a oportunidade e o interesse de sair, aproveitar as nossas montanhas, trilhas, ciclismo, equitação e golfe”.

Douglas County, Colorado, é o segundo colocado, seguido por Falls Church, Virginia, Broomfield County, Colorado, e Routt County, Colorado.

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O Condado de Columbia, no estado de Nova York, ficou em último lugar entre as 500 comunidades mais saudáveis.

“A lista das Comunidades Mais Saudáveis são um retrato dos condados em um determinado período", disse Deidre McPhillips, editora sênior de dados do US News & World Report. “Em 2020, foi extremamente importante incluir o coronavírus nessa análise”.

Embora os dados usados para determinar as classificações tenham sido obtidos antes da pandemia, novas ferramentas usadas no relatório deste ano forneceram dados da Covid-19 sobre as comunidades e destacaram o impacto desproporcional do vírus nas comunidades negras e hispânicas.

Pessoas caminham em vale de montanha no Condado de Los Alamos, Novo México.
Foto: Leslie Bucklin

As classificações e análises de Comunidades Mais Saudáveis são baseadas em avaliações de quase três mil comunidades em todo o país para 84 medições de saúde e relacionadas à saúde em 10 categorias, incluindo vitalidade da comunidade, equidade, economia, educação, meio ambiente, alimentação e nutrição, saúde da população, habitação, infraestrutura e segurança pública.

Ao avaliar quais comunidades oferecem aos seus cidadãos oportunidades de viver vidas saudáveis e produtivas, o projeto serve para educar os residentes e membros do governo sobre políticas e práticas ideais para resultados positivos de saúde.

O projeto resulta de uma colaboração com a Fundação Aetna, uma organização filantrópica de saúde, e uma parceria com o Centro de Pesquisa Aplicada e Sistemas de Engajamento da Universidade de Missouri, uma instituição de pesquisa para saúde comunitária. As classificações são baseadas em medições obtidas de fontes, incluindo os Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDCs) e o Instituto de Métricas e Avaliação de Saúde, um centro de pesquisa em saúde global independente da Universidade de Washington em Seattle.

Como a comunidade enfrenta a pandemia

Praticar atividade física nas trilhas e montanhas do condado de Los Alamos é comum entre residentes.
Foto: Vint Miller

De acordo com Scott, a presidente do conselho, uma comunidade generosa e voltada para a saúde é parte do que torna Los Alamos tão saudável. “A gente viu isso com a capacidade de as pessoas se unirem em esforços filantrópicos”, acrescentou ela. "No caso da pandemia, foram doações chegando para ajudar as pessoas nos serviços e pessoas se unindo para fazer máscaras para trabalhadores ou membros da comunidade que não as têm”.

De acordo com Scott, essa atitude comunitária contribuiu para a resposta pandêmica em quatro frentes: operações do condado, envolvimento e coordenação, identificação de novas necessidades e comunicação. No condado de Los Alamos, a taxa de 124 casos Covid-19 por 100 mil residentes foi uma das 100 taxas mais baixas do país, de acordo com o relatório.

“Estamos todos alinhados sobre quais são nossas preocupações, quais são nossas ferramentas e quais são nossas necessidades”, como creches e pagamentos de financiamento imobiliário. A comunicação com funcionários públicos e cidadãos também era imperativa, em termos de onde as pessoas poderiam fazer o teste, encontrar apoio para seus negócios ou acompanhar as atualizações dos decretos de saúde pública.

“A comunidade tem apoiado a adoção a sério dessas medidas”, disse Scott. “As pessoas entendem por que elas são importantes, como afetam nossa segurança e nossa capacidade de (re)abrir negócios e escolas”.

A taxa de casos de Covid-19 dessas comunidades foi mais fortemente associada às pontuações na categoria Vitalidade da Comunidade. Para McPhillips, editora do relatório, o que impulsiona a vitalidade, as doenças e as pandemias da comunidade é se as pessoas estão informadas.

No condado de Los Alamos, disse Scott, as respostas à pesquisa “realmente nos ajudam a fazer um bom trabalho ao identificar onde estão nossas necessidades e quais são as prioridades para continuar a manter este lugar incrível para se viver, trabalhar e recriar”, como explicou Scott.

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Disparidades pandêmicas entre raças

As 500 comunidades mais saudáveis tinham uma taxa de casos de Covid-19 que era 40% menor do que em outros condados dos EUA em 24 de agosto.

Municípios com população acima da média de residentes negros (pelo menos 13%) e residentes hispânicos (18% ou mais) tiveram taxas médias de casos e mortalidade de Covid-19 que eram pelo menos 1,2 vezes acima da média nacional. Os condados com mais de 50% de negros tinham taxas médias de casos e mortalidade que eram aproximadamente o dobro da média nacional.

A maioria dos condados de indígenas norte-americanos teve uma taxa de casos superior à média nacional também.

“As comunidades não brancas são mal atendidas há muito tempo, com poucos recursos e estão sob ataque”, disse Susan L. Polan, diretora executiva associada de relações públicas e defesa da American Public Health Association, que não esteve envolvida no estudo.

“O racismo sistêmico em instituições comunitárias como saúde, educação, policiamento e outros levaram às desigualdades que vemos na Covid-19 e em muitas outras mortes evitáveis”, acrescentou Polan por e-mail.

Principais comunidades com baixas taxas de doenças

De acordo com o relatório, a prevalência de diabetes foi 38% maior em comunidades onde mais de um quarto dos residentes disseram não praticar atividades físicas nas horas de lazer.

A principal comunidade com baixas taxas de obesidade foi Teton County, Wyoming. Já Pitkin County, Colorado, foi a melhor comunidade em índices mínimos de diabetes.

O condado de Honolulu, no Havaí, ficou em primeiro lugar na categoria de saúde mental, que avaliou mortes por suicídio, álcool ou drogas, a taxa de depressão entre os beneficiários do Medicare (o sistema de saúde público para idosos e pessoas com alguma deficiência) e o número de dias com queixa de saúde mental por mês, disse McPhillips.

Medidas comunitárias de “saúde física e bem-estar também podem impactar a saúde mental porque podem limitar ou apoiar a maneira como os indivíduos são capazes de se mover durante o dia e interagir com sua comunidade”, explicou Polan, a diretora da American Public Health Association.

E os fatores mais associados à “expectativa de vida são a taxa de tabagismo, autoavaliação de saúde, taxa de natalidade de adolescentes, o número de queixa de saúde mental e taxa de pobreza", disse McPhillips.

As métricas do centro de dados do US News para coronavírus e comunidades mais saudáveis podem ajudar as pessoas a escolher um bairro e trabalhar com seus governos para melhorar suas comunidades.

Ao escolher onde morar, as pessoas devem avaliar se a casa fica “numa comunidade coesa com fácil acesso a alimentos saudáveis, lugares seguros para brincar e caminhar, boas escolas, diversos residentes e lideranças, habitação acessível, transporte público e uma gama completa de outros serviços”, enumerou Polan. Os governos locais interessados em investir em comunidades e empresas economicamente sólidas e envolvidas localmente também são vantagens, acrescentou.

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês).