Cuba abre maior parte do país ao turismo à medida em que entra no 'novo normal'


Sarah Marsh, Marc Frank e Nelson Acosta, da Reuters
09 de outubro de 2020 às 02:04
Bandeira de Cuba

Havana, capital de Cuba, ainda não será reaberta ao turismo internacional - enquanto maior parte do país poderá voltar a receber voos

Foto: Alexandre Kunze/ Unsplash


O primeiro-ministro de Cuba, Manuel Marrero, afirmou nesta quinta-feira (8) que a maior parte da ilha caribenha será aberta ao turismo internacional a partir da próxima semana, à medida que o país avança para uma "nova normalidade" após conter o surto do novo coronavírus.

O país, que fechou suas fronteiras há seis meses em uma tentativa de conter a propagação do vírus, tem se aberto gradualmente ao turismo antes da alta temporada de novembro a março, inicialmente na região norte e depois no balneário de Varadero.

Treze das dezesseis províncias de Cuba agora estarão abertas ao turismo, disse Marrero em uma mesa redonda transmitida à nação, embora a regra ainda não valha para a capital, Havana, ainda com a preocupação de conter uma possível segunda onda de infecções com medidas de restrição, incluindo toque de recolher.

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O interrompimento do turismo internacional foi um duro golpe para a economia cubana em 2020.

“Vamos abrir a possibilidade de voos internacionais para todas as províncias que se encontram nesta terceira fase”, disse Marrero, lembrando que todos os turistas serão testados.

Segundo o governo da ilha, o sistema de saúde universal e comunitário de Cuba conteve o surto de Covid-19 e reduziu a mortalidade hospitalizando todos os casos confirmados, rastreando e isolando seus contatos e aplicando uma série de tratamentos terapêuticos.

Cuba registrou apenas 11 mortes de Covid-19 por milhão de habitantes, em comparação com 203 na República Dominicana e 647 nos Estados Unidos, mostram estatísticas da Universidade Johns Hopkins.

No total, foram 123 mortes e 5.917 casos no país. A operação para conter o vírus teve um custo, no entanto.

O estado pagou, por exemplo, para colocar 115.000 casos suspeitos e contatos de casos confirmados em instalações de isolamento, segundo Marrero. Destes, menos de 5% testaram positivo para o vírus.

De agora em diante, Cuba permitirá que as pessoas se isolem em casa, disse o primeiro-ministro

O presidente Miguel Diaz-Canel afirmou na mesa redonda que o país provou que aprendeu a conviver com o vírus, contendo sua segunda onda de infecções melhor do que a primeira e reduzindo drasticamente a taxa de mortalidade.

Como tal, a vida econômica e social poderia ser retomada, mantendo medidas rígidas, como uso de máscara e distanciamento físico, disse ele.

“A pandemia nos custou e teve um grande impacto em nosso orçamento de estado, mas temos trabalhado segundo um princípio inegociável: o principal tesouro é a vida do povo cubano”, afirmou.