Seis 747s pousaram em um aeroporto holandês e ficaram presos lá por meses


Francesca Street, da CNN
06 de novembro de 2020 às 17:51
Naves Boeing 747 no aeroporto de Twente, na Holanda

Naves Boeing 747 no aeroporto de Twente, na Holanda

Foto: Reprodução/Ronald Spanjers/Twitter @twenteairport (12.ago.2020)

Seis Boeings 747-400 da Lufthansa pousaram no Aeroporto de Twente, um pequeno hub aéreo no nordeste da Holanda, em meados deste ano, mas ficaram presos lá por meses.

As aeronaves foram retiradas de serviço devido à redução na programação de voos da companhia aérea alemã, por conta da pandemia de Covid-19, e chegaram na cidade de Twente nos meses de junho e julho.

Assim que os aviões pousaram na pista do aeroporto, houve rumores de que eles seriam demolidos.

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Cinco das seis aeronaves foram então vendidas para a empresa de reciclagem de aeronaves GE Aviation Materials, com sede no Aeroporto de Mojave, na Califórnia.

No entanto, houve um problema. A ILT, Inspeção do Meio Ambiente e Transporte da Holanda, proibiu os aviões de sair de Twente.

Foi aí que um complexo processo de negociação teve início, com o impasse finalmente resolvido na última quinta-feira (5).

Aeronaves aterradas Antes da resolução, a ILT disse à CNN Travel que os aviões não podiam decolar porque o aeroporto de Twente não tinha o certificado de segurança correto.

Em Twente, jatos maiores, como Boeings 747, têm permissão para pousar para fins de demolição, mas não podem decolar de lá.

O pequeno Aeroporto de Twente possui apenas uma pista. Anteriormente usado para aviação civil e militar, esse aeroporto tem servido para uso comercial apenas desde 2007, também se autodenominando on-line como "o local ideal para aviação executiva".

Há também uma empresa de desmontagem no local, a Aircraft End-of-Life Solutions (AELS), que já chegou a descartar jatos pertencentes a companhias aéreas como KLM e Lufthansa.

Naves Boeing 747 em aeroporto de Twente, na Holanda

Naves Boeing 747 em aeroporto de Twente, na Holanda

Foto: Reprodução/Ronald Spanjers/Twitter @twenteairport (12.ago.2020)

"A infraestrutura do aeroporto não é adequada para a decolagem de aeronaves grandes e pesadas", disse um porta-voz da ILT à CNN Travel. "O operador do aeródromo também não solicitou autorização para desvio de regras internacionais de segurança, o que pode trazer riscos de segurança."

A Lufthansa relatou à CNN Travel que quando a companhia aérea pousou os seis Boeings 747 em meados deste ano, jatos maiores foram autorizados a decolar por motivos não comerciais e de recolhimento.

A disputa foi para o tribunal com uma ação judicial entre a ILT e a Base de Tecnologia, o hub do aeroporto, mas as partes chegaram a um acordo. A ILT concedeu "uma única exceção", permitindo que os aviões partissem e afirmou que há alguns requisitos de segurança que devem ser cumpridos – por exemplo, aeronaves 747 devem conter “pouco combustível e serem leves”.

"Ambas as partes concordam que essa situação não pode acontecer novamente", disse a ILT em um comunicado no dia 29. "As aeronaves da Lufthansa podem, portanto, decolar do aeroporto de Twente. A primeira delas decolará em breve."

"Aceitamos esse acordo", disse um porta-voz da Lufthansa à CNN Travel.

Muitas companhias aéreas já planejavam retirar de suas frotas o Boeing 747, apelidado de "Rainha dos Céus", e a pandemia de coronavírus acelerou esse processo.

A British Airways, por exemplo, aposentou seu último Boeing 747 em outubro de 2020, meses antes do previsto.

O 747, um avião popular entre pilotos e passageiros, está sendo amplamente substituído por jatos mais novos e eficientes.

(Texto traduzido, leia o original em inglês)