Qantas exigirá vacinação de passageiros; aéreas debatem imunização obrigatória

CEO da Qantas anunciou que companhia aérea considerará vacinação contra Covid-19 obrigatória para voos internacionais. Empresas do setor debatem regras futuras

Por Helen Regan e Angus Watson, da CNN
24 de novembro de 2020 às 03:50 | Atualizado 24 de novembro de 2020 às 03:56
Avião da linha australiana Qantas decolando
Avião da linha australiana Qantas decolando
Foto: Divulgação/Qantas


Companhia aérea nacional da Austrália, a Qantas anunciou que exigirá a futuros viajantes internacionais que comprovem que foram vacinados contra a Covid-19 antes de voar.

O CEO da empresa, Alan Joyce, disse em uma entrevista ao Nine News, afiliada da CNN, que a mudança será uma "necessidade" quando as vacinas contra o novo coronavírus estiverem disponíveis em larga escala.

Joyce disse que a companhia aérea está tentando mudar seus termos e condições para "pedir às pessoas que tomem uma vacina antes de embarcarem na aeronave".

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“Certamente, para visitantes internacionais que vão à Austrália e pessoas que deixam o país, achamos que é uma necessidade (a comprovação de vacinação)”, disse o chefe da Qantas.

Embora a Qantas seja a primeira companhia aérea a indicar que a vacinação da Covid-19 será obrigatória antes da viagem, outras empresas podem seguir o exemplo em breve.

“Acho que será um tema comum conversar com meus colegas em outras companhias aéreas do mundo”, disse Joyce.

Um porta-voz da AirAsia disse à CNN que, assim que uma vacina estiver disponível, a companhia aérea "revisará a exigência de que os passageiros sejam vacinados contra Covid-19 para viagens internacionais".

A Air New Zealand se disse "muito encorajada pelas notícias sobre vacinas" e afirmou, em um comunicado, que, "em última análise, cabe aos governos determinar quando e como é seguro reabrir as fronteiras e continuamos a trabalhar em estreita colaboração com as autoridades nisso".

Ainda não é certo se uma exigência de vacina para viagens se tornará o padrão internacional. Também ainda não se sabe se os governos determinariam essa obrigação - e as condições legais para impor a vacinação aos passageiros antes de permitir a entrada de viajantes internacionais em cada país.

O debate ocorre no momento em que três farmacêuticas revelam resultados promissores na luta contra o novo coronavírus neste mês. A AstraZeneca / Oxford anunciou na segunda-feira que sua vacina experimental contra o coronavírus mostrou uma eficácia média de 70% em testes em grande escala, após Moderna ter anunciando no início de novembro que sua vacina era 94,5% eficaz contra o vírus, e a Pfizer / BioNTech ter revelado eficácia de 95% de seu imunizante.

Mas a questão de como será possível tornar as viagens seguras durante a pandemia é algo que as companhias aéreas e os países ainda analisam. As companhias aéreas de todo o mundo foram duramente atingidas pelo declínio nas viagens e os países perderam as receitas turísticas importantes.


Passaportes de vacinação e passes de saúde

Joyce afirmou que a Qantas está analisando a possibilidade de os passageiros terem um "passaporte de vacinação" que "certifique o que a vacina é e se ela é aceita no país para o qual você está viajando".

É algo em que a indústria aérea está pensando seriamente.

A International Air Transport Association (IATA) - órgão que representa as companhias aéreas em todo o mundo - disse na segunda-feira que um passe digital de saúde, que pode incluir informações sobre a vacina, é a chave para abrir as fronteiras.

O IATA Travel Pass está agora em sua fase final de desenvolvimento. A associação de áreas planeja realizar um teste piloto transfronteiriço ainda este ano, com o objetivo de lançar a novidade no primeiro trimestre de 2021.

"Hoje as fronteiras estão duplamente bloqueadas. O teste é a primeira chave para permitir viagens internacionais sem medidas de quarentena", disse Alexandre de Juniac, diretor geral e CEO da IATA em um comunicado.

"A segunda chave é a infraestrutura de informação global necessária para gerenciar, compartilhar e verificar com segurança os dados de teste combinados com as identidades dos viajantes em conformidade com os requisitos de controle de fronteira. Esse é o trabalho do IATA Travel Pass: atender às necessidades das várias bolhas de viagens e corredores de saúde pública que estão começando a operar", acrescenta.

Falando na reunião virtual dos líderes do G20 no sábado, o presidente chinês Xi Jinping defendeu um sistema global de rastreamento Covid-19 usando códigos QR, para ajudar a agilizar as viagens e negócios internacionais.

O governo australiano também indicou que a vacinação pode ser obrigatória ao entrar no país. A política de vacinação da Covid-19, anunciada na semana passada, afirma que embora a imunização seja voluntária, "pode ??haver circunstâncias em que o governo australiano e outros governos possam introduzir requisitos de entrada ou reentrada na fronteira que dependem da prova de vacinação. "

 

Rotas domésticas retomadas, mas sem voos internacionais

A Austrália promulgou algumas das medidas de bloqueio mais restritas do mundo, incluindo fechamento das fronteiras para viagens, visando conter a propagação do vírus. O plano incluiu uma quarentena de 14 dias para chegadas de turistas e estados fechando suas fronteiras internas para viajantes domésticas.

Na segunda-feira, a fronteira entre New South Wales e o estado de Victoria, um antigo epicentro do vírus, foi reaberta após quatro meses. Os voos entre Sydney e Melbourne, que já foi a rota de voo mais movimentada do país e a segunda rota doméstica mais movimentada do mundo, também recomeçaram depois de um período no qual havia durante um voo por dia durante o bloqueio.

A Qantas e a Jetstar - que operavam um voo a cada 15 minutos nos períodos de pico ao longo desta rota antes da pandemia - lançaram 17 voos entre Sydney e Melbourne na segunda-feira, de acordo com a Qantas. A companhia aérea disse que a reabertura da rota ajudaria a impulsionar a capacidade doméstica geral do Grupo Qantas.

Na terça-feira, a companhia aérea disse que a Qantas e a Jetstar vão operar mais de 1.200 voos extras de ida e volta para Queensland de New South Wales e Victoria até o Natal, após a decisão do governo do estado de Queensland de suspender as restrições de fronteira.

Capitalizando a demanda reprimida para viagens, a Qantas também lançou um "voo para lugar nenhum" em setembro, onde os passageiros passam sete horas voando em um loop através da Austrália, passando por locais como a Grande Barreira de Corais e Uluru. A companhia aérea disse que os bilhetes se esgotaram em 10 minutos.

No entanto, a frota internacional da companhia aérea permanece parada. Em agosto, a Qantas disse que é "improvável" retomar os voos internacionais antes de julho de 2021, já que sofre pesadas perdas devido à pandemia.

A Qantas relatou um prejuízo de 2,7 bilhões de dólares australianos (US$ 1,9 bilhão ou mais de R$ 10 bilhões) no exercício financeiro encerrado em junho, e uma queda de 91% no lucro do ano anterior. A companhia aérea também anunciou pelo menos 6.000 cortes de empregos enquanto lutava contra o que Joyce chamou de "a maior crise que nosso setor já enfrentou".