Quatro lugares fora do óbvio no Nordeste brasileiro

Natureza preservada, esportes radicais, praias quase desertas compõem cenários inesperados

Daniela Filomeno, do Viagem&Gastronomia
05 de fevereiro de 2021 às 05:00
Moreré, na Bahia
Moreré, na Bahia
Foto: Marcio Filho/MTur


Conheça quatro lugares para guardar no radar e fazer as malas assim que possível. Natureza preservada, esportes radicais, praias quase desertas e cenários inesquecíveis para colocar no roteiro em sua próxima viagem pelo Nordeste brasileiro.

Veja:

Fortim, no Ceará

No litoral leste do Ceará, a cerca de 130 quilômetros de Fortaleza, está o município de Fortim. É um verdadeiro santuário ecológico, com rio, mar, mangue, dunas, falésias e paisagens de tirar o fôlego, além de destino perfeito para amantes de kitesurfe, pelos ventos que favorecem a prática do esporte. 

Fortim
Fortim, Ceará
Foto: Stock


 

Na Praia de Fortim deságua o rio Jaguaribe, o maior curso de águas do estado, com extensão de 633 quilômetros. Merece ser admirado com um passeio de barco ou catamarã, que passa por manguezais, ilhas fluviais e pela famosa Pedra do Chapéu. 

Outros pontos imperdíveis por lá são o Pontal de Maceió, o Canto da Barra, a Praia das Agulhas e o Farol da Barra. Sem contar, é claro, o passeio de buggy – tão famoso pelo Nordeste –, que cruza o rio e percorre a Costa do Sol do Nascente, Canoa Quebrada e a linda Ponta Grossa, com uma enorme duna de 100 metros de altura que emoldura o mar.

 

Serra da Capivara e cânion do rio Poti, no Piauí

A 230 quilômetros de Teresina fica o cânion do rio Poti, uma paisagem impressionante. Acredita-se que ele tenha se formado por uma falha geológica provocada por um terremoto 400 milhões de anos atrás.

Hoje, é o lugar ideal para amantes de esportes radicais, como rapel, canoagem, trekking e trilhas. Rodeado pela transição entre a caatinga, o carrasco e o cerrado, surpreenda-se com gravuras e pinturas rupestres em abrigos sob rochas, que comprovam que essa região foi uma rota migratória milenar dos primeiros habitantes da América. 

Ainda no Piauí, outro lugar impressionante é o Parque Nacional da Serra da Capivara, considerado Patrimônio Mundial da Unesco desde 1991. Um oásis e uma verdadeira viagem no tempo, fica localizado na região semiárida do estado, abrangendo quatro cidades: Canto do Buriti, Coronel José Dias, São João do Piauí e São Raimundo Nonato.

A paisagem é repleta de cânions, baixões e serras e abriga uma grande concentração de arte rupestre pré-histórica – diferente das encontradas no cânion do rio Poti. Aqui, é possível apreciar pinturas que têm entre 6 mil e 12 mil anos. Hospede-se em São Raimundo Nonato e comece seu tour por essa modesta cidadezinha, bem próxima ao parque, que tem estrutura completa para receber turistas. Aproveite para conhecer a cerâmica Serra da Capivara, que produz louças de argila e desenha as típicas pinturas da região em pratos, copos e outros utensílios.

Serra da Capivara
Serra da Capivara
Foto: Chico Rasta/MTur


 

Praia de Moreré, na Ilha de Boipeba, na Bahia 

Ainda que o acesso à Ilha de Boipeba, no sul da  Bahia, não seja dos mais simples, essa região vem ganhando notoriedade no quesito praias baianas imperdíveis. O destino é recomendado para pessoas que querem desacelerar profundamente; afinal, por ali você encontra um cenário paradisíaco, o celular não tem sinal e o número de visitantes é baixo.

Na Praia de Moreré o mar é calmo e cristalino, e de longe você consegue observar uma imensidão azul que enche os olhos. Para completar, a praia ainda tem uma grande extensão de areia, e é possível relaxar sob as sombras dos coqueiros gigantes que cercam todo esse litoral. Mas sempre vale lembrar que tudo depende da maré e da época do ano – no verão, ela está mais alta e o banco de areia não é tão extenso, ao contrário do que ocorre na primavera, por exemplo. 

Além da beira da praia, Moreré também abriga piscinas naturais – e essas, sim, atraem inúmeros turistas. A cor do mar é semelhante ao das praias caribenhas e totalmente cristalina. A água, de tão clara, nos mostra a vida que existe abaixo da superfície, com corais e peixinhos. Para chegar até lá, é necessário alugar um barco ou participar de passeios que circundam a ilha. Moreré ainda reserva um pequeno vilarejo, um pouco distante do centrinho de Boipeba, que é rústico, sem asfalto e com muitas casinhas charmosas.