Compras coletivas: empresas dão descontos atraentes e facilitam consumo

Ressurgimento de compras em grupo gera relação direta entre cliente final e fornecedor; o colunista Fred Sabbag aponta que fidelização, preços com desconto e frete grátis estão entre os benefícios

Novas ferramentas cortam intermediários e facilitam compras em grupo ao gerar benefícios
Novas ferramentas cortam intermediários e facilitam compras em grupo ao gerar benefícios Unsplash

Fred Sabbagcolaboração para o Viagem & Gastronomia

Atire a primeira pedra (ou pare de ler este texto) quem não comprou um cupom de desconto em produtos e serviços por volta de 2010.

Naquela época, o fenômeno de compras coletivas por meio de sites estava em alta e, eu mesmo, cansei de adquirir “experiências” em restaurantes e fornecedores dos mais diversos serviços, de lava-rápido a barbeiro.

Infelizmente, apenas dois anos depois do movimento inicial, constatou-se um desânimo do mercado, cujos motivos – que presumo – mencionarei a seguir, como a desativação de alguns sites e a redução de pessoal.

Passados 12 anos, com a chegada dos smartphones e chats e o grande alcance na população, tem-se visto uma nova modalidade de compras em grupo, que, a meu ver, funciona perfeitamente para alimentos e bebidas, pois corrige alguns erros que foram cometidos durante a febre de uma década atrás.

E qual seria a diferença entre a compra coletiva do passado e a atual compra em grupo?

Passado x Presente

Em primeiro lugar, enquanto a compra coletiva tinha como objetivo a aquisição pelo cliente de um determinado prato em restaurante ou serviço, a preços com descontos agressivos de 50% a 70% – o que gerava um sobrecarga ao estabelecimento, pois ainda havia a cobrança de taxa pelos sites, que chegavam a 40% e 50% -, a compra em grupo trabalha com descontos menores, porém, sem prejudicar os fornecedores.

Nas compras coletivas, o principal objetivo era de levar ao estabelecimento o máximo de clientes possíveis, já as compras em grupo atuais trabalham com a consolidação de um número mínimo de unidades a serem vendidas, gerando uma previsibilidade para o produtor e uma escala de pedidos que ele provavelmente não atingiria por conta própria.

Mais do que isso, compras em grupo, geralmente, buscam o mesmo perfil de clientes e, muitas vezes, uma aglutinação em determinada região.

E qual o benefício direto disso? A facilitação da logística para o fornecedor e a diminuição do custo (ou até isenção de frete) para o cliente, o que pode criar uma dependência do cliente àquele produto e gerar a recorrência tão desejada por fornecedores.

É dessa diferenciação, portanto, que presumo o motivo pelo qual os antigos sites de compra coletiva não vingaram como desejavam no Brasil.

Ao disponibilizarem diversas ofertas de cupom de descontos de diversos estabelecimentos, os clientes não possuíam atrativo para realizar a compra recorrente e retornar.

Esse movimento criou uma concorrência interna entre fornecedores de um mesmo produto (por exemplo, várias pizzarias localizadas em um mesmo bairro) para clientes e potenciais clientes.

Já na nova modalidade de compras em grupo, as plataformas têm disponibilizado ofertas pontuais e periódicas de apenas um fornecedor de determinado produto, afastando assim a possibilidade de concorrência interna.

Compras sem intermediários

Empresas de compras coletivas que atuam em ambientes digitais têm cortado intermediários e facilitado logísticas e descontos / Unsplash

Uma empresa que vem atuando com essa inovação é a Trela, fundada em Minas Gerais e com forte atuação em Belo Horizonte e São Paulo, que nasceu pela necessidade de um condomínio de luxo em Nova Lima (MG) em centralizar as compras de produtos que interessavam a muitos condôminos.

O objetivo da Trela é levar para o consumidor produtos, principalmente alimentos, com preço justo, além de facilitar a compra de itens que não são encontrados facilmente em grandes mercados.

O curioso foi a opção da Trela em manter a comunicação com e entre seus clientes não só em uma plataforma, mas também e principalmente por WhatsApp, o que aumenta o engajamento dos usuários a cada pedido, com reviews dos produtos em tempo real, inclusive.

Por meio do WhatsApp, frequentemente são disponibilizadas ofertas de produtos, com desconto e frete grátis, aos usuários de determinado condomínio ou bairro, e a compra ocorre apenas se atingida uma quantidade mínima estipulada pela empresa e o fornecedor.

Outra opção no Brasil é a Facily, que também não trabalha com intermediários – ao que consta, porém, necessita de pontos de retirada de produtos.

Isso gera uma melhora dos principais fatores que desestimulam a compra, tais como frete e malha de entrega, mas pode gerar uma sensação de insegurança para os clientes que não receberão os produtos em casa.

Fora do Brasil, especificamente na China, a Pinduoduo vem seguindo uma lógica semelhante em termos de ausência de intermediários para baratear a cadeia. Lançada por volta de 2014 e com crescimento gradual desde então, a plataforma se apresenta como um case de sucesso atendendo cerca de 700 milhões de chineses por ano.

Concluindo, o movimento de ressurgimento de compras em grupo de produtos decorrente da pandemia gera uma relação direta entre o cliente final e o fornecedor.

Isso proporciona benefícios aos clientes, como a relação de fidelização, preços com desconto frete facilitado, ou até grátis, já que a compra em grupo torna a cadeia mais eficiente em termos de entrega, rapidez e desconto.

Sobre Fred Sabbag

Fred Sabbag
O advogado e entusiasta gastronômico Fred Sabbag, que conta com milhares de seguidores no Instagram / acervo pessoal

Fred Sabbag é advogado por profissão, mas, no tempo livre, nada de processos ou trâmites judiciais: uma de suas maiores paixões é frequentar bares e restaurantes. O hábito rendeu-lhe inúmeros seguidores no Instagram (@fredsabbag) e o tornou um personagem importante da gastronomia em São Paulo.

*Os textos publicados pelos Insiders não refletem, necessariamente, a opinião do CNN Viagem & Gastronomia.