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    Márcio Gomes

    Márcio Gomes

    Jornalista com mais de 30 anos de carreira, foi correspondente internacional e apresenta o CNN Primetime - mas sem deixar de fazer o que mais gosta, ir pra rua contar histórias!

    Como enfrentar os desafios que afligem o mundo? Talvez valha olhar para o Japão

    CNN Brasil mostrará como os japoneses lidam com os desastres naturais, envelhecimento da população e ameaças militares dos países vizinhos

    Como enfrentar os desafios que afligem o mundo? Talvez valha olhar para o Japão
    Como enfrentar os desafios que afligem o mundo? Talvez valha olhar para o Japão

    Os dez dias intensos que passei no Japão no começo do ano me obrigaram a conviver com sentimentos muito diferentes: como se volta ao lugar que você amou morar com a necessidade de trabalhar? Não, não estou me queixando do trabalho. Longe disso. Sempre adorei gravar no Japão, onde a organização e o planejamento facilitam qualquer empreitada. O que me pegou foram os temas.

    Não é novidade que o mundo vive em convulsão, vide os recentes conflitos que estamos testemunhando ao redor do mundo. Além disso, as mudanças climáticas deixam o planeta em alerta para eventos naturais, cada vez mais rigorosos. Tem ainda o processo de envelhecimento da população — os jovens não pensam em ter filhos, as condições de saúde melhoraram, e estamos vivendo mais.

    Todos os países enfrentam isso. O Japão, de uma forma mais intensa. Bem mais intensa. É sobre isso que falaremos no especial “Japão, Terra da Resistência”, que começa a ser exibido nesta segunda-feira, dia 8/4, 20h, dentro do CNN Primetime.

    Um grande apoio que tivemos para esse trabalho foi do governo japonês, que me convidou para retornar ao país — num esforço de reaproximação com quem havia vivido lá.

    Morei com minha família no Japão por 5 anos. Desenvolvemos um amor — por aquele país e aquela gente —, que tanto nos ensinou e nos fez crescer. Por isso é tão preocupante saber que tudo o que foi construído em séculos pode estar em risco.

    Não é exagero. O ritmo acelerado do envelhecimento da população japonesa é sentido em setores com dificuldade para contratar mão de obra — este ano, depois de uma mudança na lei trabalhista para limitar horas-extras, vai faltar caminhoneiro. Apenas um exemplo.

    E os bebês? O índice de fecundidade da mulher japonesa está muito abaixo da taxa necessária para se atingir a reposição populacional. Nos censos feitos no país (a cada 5 anos), o número de habitantes só cai, desde 2008.

    Além disso, temos as ameaças militares vizinhas que tornam o Japão — se não um alvo — mas o primeiro que pode sentir o impacto que uma guerra em escala mundial pode ter. A Coreia do Norte e a China voltaram a investir pesadamente em armas, a realizar exercícios de tropas e equipamentos que funcionam como pressão aos países vizinhos.

    Um erro pode ser fatal — frase que soa um clichê para quem lê, se você não esteve — como eu estive — no alcance de um foguete norte-coreano em 2017, passando por cima de uma das ilhas japonesas em mais um “teste”. Essa é a opção norte-coreana: enquanto se tem uma população faminta no interior do país, gasta-se milhões com programas balísticos e nucleares. E quem vai peitar (ou pedir cautela a) um ditador como Kim Jong-Un?

    E ainda tem os desastres que a natureza impõe. Como se vive num lugar onde a terra treme sem aviso? Estivemos em Wajima, no oeste do Japão, lugar devastado pelo terremoto do dia Primeiro de janeiro deste ano. Um dia no mundo inteiro marcado pela reflexão, esperança, lá foi de contar os mortos — 241 pessoas.

    Foram semanas de planejamento, gravações e edição, trabalho de uma grande equipe, para exibir, a partir desta segunda-feira as 5 reportagens especiais que fizemos no Japão. Fica aqui o nosso convite.