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    Pedro Duran
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    Pedro Duran

    O pai do Benjamin passou pela TV Globo, CBN e UOL. Na CNN, já atuou em SP, Rio e Brasília e conta histórias das cidades e de quem vive nelas

    Se conflito do Irã escalar, barril do petróleo pode voltar a bater US$ 100, apontam especialistas

    Analistas ouvidos pela CNN apontam que importância do Irã para o mercado força agentes globais a tentarem brecar uma escalada do conflito

    Pouco mais de dois anos depois de ter furado a barreira dos US$ 100, o barril de petróleo Brent medido na Bolsa de Londres pode voltar a bater essa marca. Na visão de especialistas do setor ouvidos pela CNN, isso aconteceria caso o conflito envolvendo Irã, um dos maiores produtores do mundo, e Israel, se agravasse.

    De acordo com a plataforma Invest.com, usada por analistas do mercado para comparar o preço da commodity, em setembro de 2023, o barril de Brent havia batido US$ 95, a maior cotação nos últimos 12 meses.

    Em janeiro de 2022, mês anterior do início da invasão da Rússia à Ucrânia, o preço tinha furado a barreira dos US$ 100. Nas semanas seguintes, a especulação só aumentaria, chegando a US$ 122 em abril, o pico da curva.

    Com o tempo o conflito se tornou precificado pelo mercado, de modo que a guerra passou a não surtir o mesmo efeito nos preços, mesmo com os ataques entre Israel e o Hamas. De modo que hoje, mesmo com a reação de Israel ao Irã, o valor do Brent está cotado hoje em US$ 87.

    O acirramento do conflito, no entanto, poderia provocar uma nova disparada.

    O presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araújo, explicou à CNN que o preço do petróleo e seus derivados é muito sensível ao equilíbrio de oferta e demanda e um conflito envolvendo grandes produtores afeta esse balanço.

    “É um risco. O mercado normalmente precifica com base no risco, ou seja, não tem ainda restrição, mas tem o risco de reduzir a oferta, então já se especula e aumenta o preço. Então esse conflito, sem dúvida, ele aumenta risco, consequentemente aumenta a especulação com tendência de aumento de preço”, diz ele.

    O vice-presidente executivo da Brasilcom, Abel Leitão, que representa distribuidores de combustíveis no Brasil, diz que os conflitos já estavam precificados pelo mercado internacional.

    “A gente tem no nosso cenário, há algum tempo, a permanência de conflitos regionais. A geopolítica hoje do mundo é bem diferente do passado. Então, obviamente que isso traz uma pressão no preço do petróleo”, conta ele.

    “Obviamente [o agravamento dos conflitos] vai trazer uma preocupação adicional com segurança de abastecimento. A gente fala muito de transição, mas ainda precisamos muito, por muito tempo, petróleo. Então, os conflitos regionais, seja da Ucrânia ou do Oriente Médio, estão no cenário, e podem provocar impactos no preço do petróleo”, completa.

    Adriano Pires, consultor na área, lembra que o Irã hoje é o oitavo maior produtor de petróleo do mundo e o segundo maior produtor e exportador do Oriente Médio, tendo a China como um dos seus principais fornecedores.

    Havia uma expectativa de aumento antes das explosões da última madrugada. Agora, efetivamente, o mercado mundial acende um alerta.

    “A escalada da guerra do Irã com Israel pode realmente trazer grandes problemas no mercado de óleo. O barril pode voltar a atingir uma cotação superior a 100 dólares. Na semana passada, todo mundo acreditava que isso poderia acontecer, mas foi o contrário”, afirma Pires.

    “O barril até cedeu um pouco, porque o ataque do Irã não teve consequências graves em Israel, já que os drones, os mísseis foram todos interceptados. Agora, no entanto, com essa reação de Israel, a coisa pode piorar”, defende.

    O Irã controla o Estreito de Ormuz, onde passa um terço do petróleo do mundo. Cláudio Mastella, ex-diretor da Petrobras, aponta que o conflito impactaria diversos agentes internacionais deste mercado e, justamente por isso, deve haver um esforço mundial para evitar um agravamento do conflito.

    “Vejo os EUA e diversos atores tentando acalmar os lados pra evitar escalada, que se traduzida em menor oferta de petróleo, aí sim geraria alta de preços. O próprio Irã, na minha visão de longe, deve estar tentando driblar pressão interna por revides mais intensos e a fuga de um conflito aberto com o Ocidente”, opina Mastella.