Polícia prende suspeitos de pirataria em cursinhos preparatórios para concurso

A Operação Black Hawk é realizada nos estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais

Jéssica Otoboni, da CNN, em São Paulo
21 de julho de 2020 às 06:37 | Atualizado 21 de julho de 2020 às 10:55

A Polícia Civil prendeu nove pessoas, na manhã desta terça-feira (21), em uma operação contra pirataria em material de cursinhos preparatórios para concursos públicos. Foram duas prisões em Minas Gerais e sete no Rio de Janeiro.

Segundo a Secretaria da Polícia Civil do RJ, a Operação Black Hawk investiga a "atuação de uma associação criminosa responsável por piratear cursos preparatórios e controlar a maior plataforma virtual de cursos pirateados do Brasil".  

A ação é realizada nas cidades do Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, Niterói, São Gonçalo, Saquarema e Araruama, no RJ, e nos municípios de Juiz de Fora e Borda da Mata, em MG. 

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Segundo os policiais, o grupo comercializou milhares de cursos preparatórios pirateados, inclusive para concursos da Polícia Civil, Polícia Federal e Rodoviária, além de cursos das carreiras fiscais e jurídicas.  

Os cursos pirateados eram vendidos pelos suspeitos na internet por até 10% do valor original. Estima-se que o prejuízo seja de R$ 65 milhões às empresas donas do material oficial.

De acordo com a investigação, um dos clientes identificados é funcionário do Tribunal de Contas de um estado, que utilizou a rede do local para comprar um curso pirateado.

Um dos alvos da operação em Minas Gerais é Lothar Alberto Rossmann, que tem conhecimentos avançados em TI. Ele era o responsável por quebrar a criptografia do streaming de vídeo dos cursos oficiais e transferir os arquivos para uma nuvem própria, onde as aulas eram disponibilizadas para os clientes das plataformas virtuais.

Na casa de Rossmann, em Borda da Mata (MG), foram encontrados R$ 15,6 mil em espécie. A filha dele foi presa.

Na casa de Rossmann, em Borda da Mata (MG), foram encontrados R$ 15,6 mil em espécie
Foto: Divulgação - 21.jul.2020 / Polícia Civil de MG

Essas plataformas eram gerenciadas por Antônio de Jesus Cabral – um dos alvos da operação no Rio de Janeiro. Ex-aluno da Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), ele é o principal suspeito de liderar o grupo. Acredita-se que Rossmann e Cabral atuem nesse esquema há quase vinte anos.  

As investigações apontaram que Cabral utilizava seus próprios parentes como laranjas, na tentativa de ocultar as movimentações financeiras ilícitas. A mãe dele, por exemplo, tem um salão de cabelereiro e teve movimentação bancária de R$ 1,5 milhões, além de ganho líquido próximo a R$ 500 mil em operações de bolsas de valores, de acordo com o Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Coaf.  

Os investigados vão responder pelo crime de receptação, com pena de até 4 anos de prisão. 

(Com informações de Thayana Araújo, da CNN, no Rio de Janeiro)