Como investir em renda fixa com os juros no menor patamar da história?


Matheus Prado, do CNN Brasil Business, em São Paulo
16 de setembro de 2020 às 07:16 | Atualizado 16 de setembro de 2020 às 18:18
Capacitação na área de finanças e investimentos

Margens de lucro estão cada vez mais justas em produtos de renda fixa

Foto: Helloquence/Unsplash

Os tempos de rentabilidade vultosa na renda fixa ficaram para trás. Na reunião desta quarta-feira (16), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa básica de juros inalterada em 2% ao ano: menor patamar da Selic da história. Nesse cenário, como os investidores podem garantir ganhos reais com títulos do Tesouro, CDBs e letras de crédito?

Especialistas consultados pelo CNN Brasil Business recomendam a compra de papéis com vencimento mais longo — o que implica em mais riscos e mais rentabilidade —, a não ser que o investidor precise de liquidez.

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“Muito se falava que a reserva de emergência precisava mudar, sair do Tesouro Direto, mas a modalidade se mostrou extremamente importante em tempos de crise”, diz Jayme Carvalho, planejador financeiro CFP pela Planejar. “Por vezes vai ser necessário até arriscar perder dinheiro para a inflação se for necessário manter a liquidez.”

Michael Viriato, professor de finanças do Insper, lembra que, além do Tesouro Direto, os fundos DI possibilitam resgate rápido. 

Já os investidores que podem ficar estacionados em papéis de médio e longo prazo têm a opção de trocar os títulos públicos por crédito privado. “Os prêmios dos títulos públicos estão cada vez mais espremidos, enquanto o mercado privado ainda paga prêmios maiores por conta do risco”, explica Victor Beyruti, economista da Guide.

É o caso das debêntures incentivadas (papéis emitidos por companhias para financiar compromissos de médio e longo prazo). São títulos que pagam a inflação mais uma taxa prefixada. “Os riscos do longo prazo ainda estão precificados nas taxas que estes títulos pagam, o que pode representar uma vantagem.”

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Daniel Herrera, analista da Toro Investimentos, cita ainda CDBs de bancos de menor porte com boas taxas prefixadas. "Só é preciso ter cuidado porque alguns emissores têm taxas maiores porque estão em situações mais delicadas. O investidor tem que ficar de olho na estrutura patrimonial dos bancos", explica.

É bom lembrar que há cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para cada CPF por instituição financeira até R$ 250 mil. Confira uma lista de títulos que estão à venda no mercado (não se trata, portanto, de uma recomendação de compra).

CDI vai morrer?

No primeiro momento do pós-crise, com a bolsa subindo rapidamente e as expectativas do mercado crescendo, a morte do CDI foi decretada por muitos. A taxa, que lastreia as operações interbancárias, costuma seguir a Selic de perto, o que para muitos deixou de ser atraente há tempos.

Por outro lado, muito dinheiro dos brasileiros continua “preso” em cadernetas de poupança.Viriato, professor de finanças do Insper, acredita que há exageros das duas partes. “O CDI não vai morrer. Continua importante para fazer frente ao curto prazo, para manter aquela parcela do patrimônio, seja 10%, 20%, que precisa estar em ativos líquidos”, diz. 

“Mas ainda temos quase R$ 1 trilhão em poupança, enquanto o volume total dos fundos de ações não passa de R$ 500 bilhões.Temos muito espaço para avançar.” Dada essa dualidade, é preciso ajustar prazos, expectativas e objetivos para escolher boas opções de investimento na renda fixa.

A recomendação dos especialistas é que os investidores tenham uma carteira diversificada. Viriato  defende que, quanto mais longo o objetivo, melhores as condições de títulos atrelados à inflação. O momento também pede uma maior exposição a riscos por parte dos investidores. “Fundos de ações ou multimercados podem ocupar essa lacuna nas carteiras. Depois de cinco anos, dificilmente esses papéis vão perder em rentabilidade para o CDI”, completa.

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