Morgan Stanley: Real fica mais exposto a ruído político e força global do dólar

A visão dos profissionais se dá em meio a um cenário mais conservador para as moedas emergentes em geral

José de Castro, da Reuters
19 de julho de 2021 às 14:09 | Atualizado 19 de julho de 2021 às 14:14
Fachada do Banco Morgan Stanley
Fachada do Banco Morgan Stanley
Foto: REUTERS/Lucas Jackson/Foto de arquivo

O posicionamento mais forte no real pode elevar a sensibilidade da moeda brasileira a um aumento de ruído político doméstico e a um dólar globalmente mais forte, disseram estrategistas do Morgan Stanley em relatório nesta segunda-feira (19), considerando que a barra para mais surpresas "hawkish" (inclinado a apertar a política monetária) por parte do Banco Central está mais alta.

A visão dos profissionais se dá em meio a um cenário mais conservador para as moedas emergentes em geral. O Morgan Stanley está "bullish" (otimista) com o dólar por entender que há divergências macroeconômicas, de política monetária e de situação sanitária que mantêm a atratividade da moeda norte-americana como ativo de investimento.

Para o Morgan Stanley, o mercado no Brasil já colocou nos preços a alta de 100 pontos-base da Selic na próxima reunião de política monetária do Copom (3 e 4 de agosto), com o juro indo a 7% ao fim deste ano (a taxa está em 4,25%).

"Dessa forma, embora o ciclo de alta dos juros em curso deva continuar a fornecer suporte para o real, achamos que o posicionamento comprado (em real) mais pesado deve ampliar a sensibilidade da moeda a ruído político em alta e a um dólar mais forte", disseram estrategistas do banco.

Ao mesmo tempo, na curva de juros, a expectativa é de alguma limitação ao espaço para queda nas taxas da chamada "barriga" da curva, com um BC comprometido a ancorar a inflação e um Fed "hawkish". Ainda assim, o viés da curva ainda é de queda na inclinação.