Ações do Magazine sobem até 7% com compra bilionária do KaBuM!

A aquisição será paga em três etapas, sendo a primeira parcela, à vista, de R$ 1 bilhão

Foto: Paulo Whitaker/Reuters

Paula Arend Laier,

da Reuters

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As ações do Magazine Luiza chegaram a subir mais de 7% nesta quinta-feira (15), após a companhia anunciar aquisição bilionária da plataforma de e-commerce de produtos de tecnologia e games KaBuM!, bem como uma oferta de ações da ordem de R$ 4,6 bilhões e previsões operacionais.

A compra do KaBuM!, que será realizada em dinheiro e ações, pode chegar a quase R$ 3,87 bilhões nos preços atuais dos papéis, dependendo de metas a serem atingidas pela plataforma, sendo a maior operação dentre 21 empresas que a varejista adquiriu no espaço de um ano e meio.

“Com a compra do KaBuM!, nos consolidamos como um dos líderes do e-commerce formal brasileiro e reforçamos nossa atuação em um dos mercados que mais crescem no mundo — o de produtos para geeks e gamers”, afirmou o presidente-executivo da companhia, Frederico Trajano, em nota.

Fundado em 2003, o KaBuM! tem 2 milhões de clientes ativos. No ano passado, as vendas cresceram 128% em relação a 2019 e nos primeiros cinco meses de 2021 apresentaram alta de 62% ante mesmo período de 2020. Nos últimos 12 meses, teve receita bruta, de R$ 3,4 bilhões e lucro líquido de R$ 312 milhões.

“Esse nível de rentabilidade apresentado pelo KaBuM! não é comum em players de e-commerce, o que mostra a eficiência da gestão da companhia”, acrescentou Trajano. “Isso mostra que a empresa é muito alinhada com a filosofia do Magalu, que também apresenta crescimento acelerado com resultados sustentáveis.”

A aquisição será paga em três etapas, sendo a primeira parcela, à vista, de R$ 1 bilhão.

A segunda etapa envolve a transferência de 75 milhões de ações do Magalu ao longo de um ano e meio e, a terceira – de até 50 milhões de ações -, ocorrerá em janeiro de 2024 e depende do cumprimento de metas do KaBuM!. No preço de fechamento das ações na véspera, esse total somaria quase 2,87 bilhões de reais.

A conclusão do negócio depende da aprovação do órgão Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

“A avaliação do negócio é positiva, considerando os valores envolvidos, sem levar em conta as sinergias, o negócio é favorável ao Magazine Luiza”, afirmou o analista da Terra Investimentos, Régis Chinchila

Por volta de 12h24, as ações do Magazine Luiza valorizavam-se 4%, a R$ 23,86, tendo alcançado R$ 24,57 na máxima da sessão até o momento e respondendo pelo melhor desempenho do Ibovespa. No ano, porém, os papéis ainda acumulam declínio de cerca de 3%.

Follow-on

A oferta de ações, por sua vez, prevê distribuição inicial de 150 milhões de papéis, montante que pode ser acrescido em até 50 milhões de títulos para atender eventual excesso de demanda. E segundo o cronograma deve ser precificada em 22 de julho.

Considerando o preço de fechamento das ações na véspera, de 22,93 reais, e a venda da oferta base e do lote adicional, o follow-on somaria R$ 4,586 bilhões.

“Os recursos captados terão como destino a expansão do Magalu em novos mercados, investimentos em logística, com abertura de novos centros e hubs de distribuição e o pagamento de aquisições estratégicas”, disse a empresa em comunicado.

Itaú BBA, BTG Pactual, Bank of America, JPMorgan, Bradesco BBI, Goldman Sachs, Morgan Stanley, Santander Brasil, UBS BB e XP Investimentos são os coordenadores da oferta.

“A Magalu segue buscando expansão via aquisições e crescimento na distribuição e sua área de logística”, acrescentou Chinchila, da Terra Investimentos, ressaltando que a decisão ocorre mesmo com a empresa tendo encerrado o primeiro trimestre com caixa líquido ajustado de 4 bilhões de reais.

Previsões do Magazine Luiza para os próximos anos divulgadas mais cedo referendam tal prognóstico, com a companhia estimando um crescimento no número de centros de distribuição de 26 neste ano para 33 no seguinte, enquanto as unidades logísticas devem passar de 225 pra 450 no mesmo período.

 

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