Analistas estimam alta nas ações da Eletrobras a médio e longo prazos

Ações da empresa fecharam em alta de 3,45% (ordinária) e de 2,54% (preferencial) nesta quinta-feira (19)

Do CNN Brasil Business*

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A cotação das ações da Eletrobras nesta quinta-feira (19) já refletiram a aprovação pelo Tribunal de Contas da União (TCU) na quarta-feira (18) do processo de capitalização da companhia.

As ações da empresa fecharam em alta de 3,45% (ordinária) e de 2,54% (preferencial). Este ano, a alta acumulada é de mais de 30%.

O mercado avalia agora qual seria o comportamento das cotas da empresa daqui para frente.

A analista de economia da CNN Thais Herédia afirma que, imediatamente, pode até haver uma queda, já que ainda há definições e trâmites para a continuidade do processo de desestatização. Contudo, no médio e longo prazos, a perspectiva é de que haja valorização, devido à política que embute uma série de obrigações que não estavam no plano original desse processo.

Esses números mostram o interesse dos investidores, que veem a capitalização como algo positivo para a empresa, afirma Priscila Yazbek, analista de economia da CNN.

Corretoras e bancos estimam que a ação chegue a um preço médio de R$ 54,11, uma valorização de mais de 20% ainda esse ano. Com isso, foram seis recomendações de compra e uma recomendação neutra, mostrando que o mercado vê potencial para valorização.

Yazbek conclui que, em conversa com Paulo Bittencourt e João Lorenzzo da Encore Asset Managment, ambos afirmaram que colocar o dinheiro do FGTS nas ações da Eletrobras é uma alternativa interessante, mas ressalta que existem algumas ressalvas que devem ser levadas em consideração antes de aplicar o dinheiro do fundo de garantia.

Entenda a capitalização

Quando se fala de privatização no Brasil, sempre há o entendimento de que o Governo Federal irá vender certa empresa para um grupo ou companhia que pagar o maior preço.

Não é o caso da Eletrobras. Sua privatização irá acontecer via mercado de capitais: ou seja, as ações da companhia serão pulverizadas entre vários acionistas.

O governo é o controlador majoritário, com mais de 70% das ações. Ele vai continuar sendo o acionista majoritário, mas ganhará vários sócios por meio dessa venda. A Eletrobras vai vender novas ações no mercado, diluindo aos poucos a participação do governo — até que ele detenha 45%.

Thaís explica que o processo acaba sendo uma privatização porque a Eletrobras deixa de ser gerida como uma estatal, como é hoje. A empresa passa a ser gerida como uma holding, em que o governo segue como acionista majoritário mas a maior parte do seu capital está diluído no setor privado.

Dessa forma, diz Herédia, cria condições para proporcionar maior capacidade de investimento da estatal, com ganho de eficiência, redução de custos e prestação de serviços mais segura e eficientes.

Para a analista, o que os consumidores almejam é saber que o setor elétrico brasileiro é bem gerido, que os preços são formados da forma mais correta possível, e que haja concorrência inclusive nos setores em que a Eletrobras, hoje, tem o maior peso.

Herédia destaca que a Eletrobras é responsável por 30% da geração e quase 40% da transmissão de energia do país hoje, tendo sido maior no passado, mas acabou reduzindo mercado porque perdeu capacidade de investimento e capacidade de gestão.

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