Balança comercial tem superávit recorde para agosto, de US$ 7,7 bilhões

O resultado superou estimativa de analistas de um saldo positivo de US$ 7,2 bilhões

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Beatriz Puente*da CNN

no Rio de Janeiro

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A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 7,6 bilhões em agosto, recorde para o mês. O relatório preliminar, divulgado pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia, apontou que o aumento foi de 25,7% em relação ao mesmo período no ano passado. No acumulado deste ano até agora, já foram mais de US$ 52 bilhões. O valor já supera todo o volume registrado ao longo de 2020, quando o saldo positivo foi de US$ 50,4 bilhões.

A alta nas importações foi de 61%, alcançando quase US$ 20 bilhões apenas em agosto. O acumulado de 2021 até agora foi de US$136,8 bilhões. Já nas exportações o crescimento foi de 49,2%, somando US$ 27,2 bilhões em agosto e US$ 188,8 bilhões neste ano. Nas duas modalidades, os setores que mais contribuíram para o superávit foram a agropecuária, a indústria extrativa e a indústria de transformação.

Economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Mauro Rochlin explicou que o câmbio, a alta dos preços e o momento de retomada foram cruciais para atingir esse recorde no mês de agosto. Rochlin também estima que o superávit se mantenha até o final do ano perto de US$ 6 e US$ 7 bilhões.

“Temos que destacar três pontos. Com o dólar caro, o câmbio está favorável para a exportação. A alta do preço dos principais commodities, como minério de ferro e soja. E hoje o cenário é muito melhor do que há um ano. Já temos vacina, temos reabertura. O fato de ter aumentado a exportação e a importação é sinal de que a retomada no mundo está em curso”, afirmou o economista.

O café, a soja e o milho foram os principais produtos exportados, enquanto a indústria extrativa negociou mais minério de ferro, óleos brutos de petróleo e minérios de cobre. Na indústria de transformação, os destaques ficaram para a carne bovina, o açúcar e farelos de soja, que servem de alimentos para animais.

Os principais parceiros comerciais que contribuíram para esse resultado foram Argentina (+ US$ 0,12 bilhões), União Europeia (+ 0,46 bilhões) e China, Hong Kong e Macau (+US$ 5,41 bilhões). Apenas a relação com os Estados Unidos apresentou déficit, no valor de US$ 1,23 bilhões porque as exportações somaram US$ 2,77 bilhões, enquanto as importações chegaram a US$ 4 bilhões.

*Sob supervisão de Stéfano Salles

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