BC: Brasileiros com endividamento de risco somavam quase 5 milhões em 2019

Moedas de real: Pessoas acima dos 54 anos são os endividados mais vulneráveis
Moedas de real: Pessoas acima dos 54 anos são os endividados mais vulneráveis Foto: Bruno Domingos/Reuters

Anna Russi,

do CNN Brasil Business, em Brasília

Ouvir notícia

Em dezembro de 2019, cerca de 4,6 milhões de brasileiros se encaixavam em pelo menos dois dos critérios do que o Banco Central (BC) classifica como endividamento de risco. O número equivale a 5,4% da população brasileira com operações de crédito aberto. Os dados são do relatório de Endividamento de Risco no Brasil do BC, publicado nesta terça-feira (7). 

De acordo com o BC, o endividamento de risco se classifica quando o tomador de crédito se encaixa em pelo menos dois dos seguintes critérios: com inadimplência de parcelas de crédito superior a 90 dias, comprometimento de mais de 50% da renda mensal para pagamento de dívidas, contratação de mais de uma modalidade de crédito, e renda mensal abaixo da linha de pobreza após a quitação de empréstimo. 

“A ocorrência simultânea de dois ou mais desses indicadores caracteriza o endividamento de risco, ou seja, quando o cidadão tem um volume de dívida acima de sua capacidade de pagamento, e cuja persistência e baixa qualidade do crédito prejudicam o gerenciamento de seus recursos financeiros e, em última instância, sua qualidade de vida”, explica o BC. 

Leia também:
FGV: Mercado de trabalho parou de piorar, mas ainda há dúvidas sobre retomada
Guedes: Governo vai anunciar quatro grandes privatizações em até 90 dias

Para o diretor de relacionamento, cidadania e supervisão de conduta do BC, Maurício Moura, quando o cidadão perde o controle da parte financeira de sua vida, todos os outros aspectos são prejudicados.

“A situação limite nesse processo de perda de controle financeiro é justamente o superendividamento”, observou. 

Moura ressaltou, no entanto, que o superendividamento não é um problema nacional ou brasileiro ou de economias em desenvolvimento. “Países com economia avançada também sofrem com graves problemas de endividamento. Outra coisa é que o endividamento de risco não é o superendividamento. Mas é um bom indicativo do que pode ser o superendividamento no Brasil”, disse.  

Do total de consumidores com endividamento de risco, o maior grupo, de 10,3 milhões, se concentrava como inadimplentes. Outros 9,8 milhões estavam com mais de 50% da renda comprometida. Já aqueles com operações em multimodalidades, somavam 3,4 milhões. Outros 2 milhões ficaram com a renda abaixo da linha de pobreza após o pagamento de dívidas.  

Mais vulnerável 

O relatório revela ainda que aqueles com renda média entre R$ 2 mil e R$ 10 mil e acima de 54 anos são financeiramente mais vulneráveis. “Tal recorte se justifica pelo maior nível de relacionamento bancário dessa população, com acesso a uma maior gama de produtos financeiros e a maiores limites de crédito”, conclui.

O BC concluiu no relatório que a elaboração de políticas públicas voltadas especificamente para o atendimento do endividado de risco exige uma abordagem tanto preventiva quanto de tratamento. 

“Do lado da prevenção, indicam-se iniciativas de melhoria da educação financeira, alertando sobre os perigos potenciais da tomada de decisão mal informada e sobre a necessidade de entendimento dos orçamentos pessoal e familiar e de comparação entre produtos e serviços financeiros antes da contratação”, sugere o estudo. 

“Do lado do tratamento, privilegiam-se as políticas focadas na renegociação das dívidas com o auxílio das instituições financeiras e da rede de proteção ao consumidor e, para os casos mais problemáticos, na orientação à resolução extrajudicial de conflitos”, completa.

Moura destacou que mesmo durante a pandemia, o BC segue atuando em programas de educação financeira, incluindo aqueles direcionados para brasileiros que ainda não estão inseridos no sistema.

“Para os que já estão no sistema financeiro, também. O objetivo final da educação financeira é que o cidadão tome as rédeas de sua vida financeira, para que ele tome crédito de maneira adequada, contratando aquele que, de fato, vai agregar valor e trazer qualidades para sua vida e não aquele que vai o colocar em uma situação difícil no futuro”, completou.

Clique aqui para acessar a página do CNN Business no Facebook

Mais Recentes da CNN