Boeing desiste de acordo para comprar negócio de jatos regionais da Embraer

Gigante americana do setor de aviação anunciou neste sábado que exerceu direito de romper contrato que buscava criar joint venture entre as companhias

Do CNN Brasil Business, em São Paulo

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A Boeing anunciou neste sábado (25) que desistiu do acordo para comprar o negócio de jatos regionais da Embraer.

Em comunicado publicado em seu site, a gigante americana do setor de aviação afirmou que rescindiu seu Contrato Principal de Transação (MTA, em inglês) com a Embraer, sob o qual as duas empresas estabeleceriam um novo nível de parceria estratégica.

Os termos e condições aprovados em 17 de dezembro de 2018 definiram a criação de uma joint venture (Boeing Brasil Commercial) contemplando ativos do segmento de Aviação Comercial da Embraer e serviços relacionados (segmento de Serviços & Suporte) com 80% de participação da Boeing e 20% da Embraer.

As empresas planejavam criar também uma segunda joint venture para desenvolver novos mercados para as aeronaves C-390 Millennium de transporte aéreo e mobilidade aérea, Agora, manterão apenas um contrato, assinado em 2012 e ampliado em 2016, para comercializar e dar suporte em conjunto para essas aeronaves militares.

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De acordo com o MTA, a sexta-feira (24) era o último dia para as empresas chegarem a um acordo. “[O prazo poderia ser ampliado], mas a Boeing exerceu seu direito de rescisão depois que a Embraer não satisfez as condições necessárias”, diz a nota da empresa.

“A Boeing trabalhou diligentemente ao longo de mais de dois anos para finalizar sua transação com a Embraer. Nos últimos meses, tivemos negociações produtivas, mas sem sucesso, sobre condições insatisfatórias do MTA. Todos pretendíamos resolvê-los até a data inicial de término, mas isso não aconteceu.”, disse Marc Allen, presidente da Embraer Partnership & Group Operations.

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Aeronaves da Embraer e da Boeing lado a lado durante exibição em Paris, na França
Foto: Pascal Rossignol – 16.jun.2017/ Reuters

“É profundamente decepcionante. Mas chegamos a um ponto em que uma negociação continuada no âmbito do MTA não resolverá os problemas pendentes”, completou Allen.

Em 10 de janeiro de 2019, o governo brasileiro informou que não exerceria seu direito de veto no negócio das duas empresas. A parceria entre Boeing e Embraer recebeu aprovação incondicional de todas as autoridades reguladoras necessárias, com exceção da Comissão Europeia, que havia determinado o dia 7 de agosto como data final para se posicionar acerca do negócio.

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