Brasil terá crescimento abaixo do esperado em 2022, avalia economista

À CNN Rádio, Sérgio Vale afirmou que o aumento do IOF é ‘política fiscal ruim’

Economista teme que aumento do IOF seja prorrogado no ano que vem
Economista teme que aumento do IOF seja prorrogado no ano que vem Foto: Bruno Domingos/Reuters

Amanda Garciada CNN*

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O ano de 2022 será complicado para a economia brasileira. Esta é a expectativa do economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale. Em entrevista à CNN Rádio, ele afirmou que o aumento do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) é uma “sinalização das prioridades do governo” e que dá indícios do que vem por aí.

“Vai ser um ano fiscal difícil, com contingenciamento para pagar o mínimo, com continuidade de deterioração fiscal e economia disfuncional. Com o governo sem conseguir implementar uma política monetária, o crescimento será baixo”, disse.

Segundo Vale, o crescimento está previsto para 0,4% no ano que vem, com algumas projeções próximas de 1%, quando o mundo deve crescer algo em torno de 5%. “Uma das razões é o aumento de juros para conter a inflação e agora esse elemento do IOF.”

O economista explicou que a medida do IOF encarece o crédito e será “repassada pelos bancos imediatamente”. “O que dá para dizer é que vai ser temporário, mas já se viu no passado, na troca da CPMF, que acabou em 2007, começou-se a usar o IOF para tentar compensar as perdas. É uma política fiscal ruim, encarece o crédito, vamos torcer para que seja temporário e governo não estique.”

Sérgio Vale acredita que o governo terá uma tarefa muito difícil no ano que vem, em meio às despesas que precisam ser acomodadas – o pagamento dos precatórios, a implementação do Auxílio Brasil, que substituirá o Bolsa Família, o aumento de salários de servidores e previdência, devido à inflação; e o fato de ser um ano eleitoral.

“São quatro fontes de pressão de gastos que não vão ser fáceis de acomodar dentro da regra do teto, e estamos quase no limite de corte de gastos discricionários, aqueles em que se pode manejar com flexibilidade”, completou.

*Com produção de Bel Campos

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