Carnes pressionaram aumento de quase 12% na cesta de Natal de 2021 em SP, aponta pesquisa

Coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe, Guilherme Moreira, destacou à CNN que dificilmente preços cairão no ano que vem

Léo LopesDuda Cambraiada CNN

em São Paulo

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O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) — que mede a inflação oficial do país –, foi de 0,95% em novembro. No ano, o indicador acumula alta de 9,26% e, nos últimos 12 meses, de 10,74%.

Pesquisa feita pela Ipsos em 30 países mostra que o Brasil é 4° colocado em ranking de maior percepção de inflação pela população. Para 73% dos brasileiros, o custo de vida aumentou nos últimos 6 meses.

Neste fim de dezembro, a inflação também mostra os seus reflexos no feriado do Natal.

Uma pesquisa da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) sobre os produtos que compõem a ceia – com base nos preços no estado de São Paulo – apontou uma alta generalizada de 11,8% em relação ao ano passado – acima da inflação do período.

Em entrevista à CNN, o coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe, Guilherme Moreira, destacou o aumento dos preços das carnes, que habitualmente estão presentes nos churrascos e outros encontros típicos do fim de ano.

Guilherme Moreira, Coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe. / Reprodução/CNNBrasil/21.dez.2021

O produto que mais encareceu foi o filé mignon, com aumento registrado de 30,78% em comparação a 2020. O segundo lugar é ocupado com um prato típico do Natal, o peru, que teve alta de 23,83% no preço.

Azeitona verde (23,76%), panetone (21,81%) e bacalhau (21,27%) também estão entre os produtos mais afetados pela inflação.

“Acaba acontecendo que a maioria desses produtos consumidos passam por etapas industriais. Essa indústria consome energia elétrica, frete de transportes, embalagens, que são elementos que sofreram aumentos e impacta na composição de custos desses itens”, explicou o coordenador.

O economista Guilherme Moreira destaca que os poucos itens que registraram baixa nos preços em 2021 vieram de grandes altas no ano anterior. Por exemplo, o lombo de porco que teve queda de 7,7%.

“A carne suína, em 2020, teve uma grande demanda chinesa e subiu muito o preço. Caiu um pouco esse ano por causa da regularização de lá, mas estava em um patamar muito alto”, comenta.

Para o especialista, a expectativa de inflação menor para o ano que vem, apontada por alguns economistas, não significaria diretamente uma queda nos preços de alimentos. “Eles vão subir num ritmo menor. Dificilmente vamos ter queda de preços, apenas algumas pontuais”, alerta.

Top 10 produtos da cesta de Natal com maior alta em 2021

  • Filé Mignon +30,78%
  • Peru +23,83%
  • Azeitona verde +23,76%
  • Panetone +21,81%
  • Bacalhau +21,27%
  • Farofa +20,19%
  • Chester +19,39%
  • Caixa de Bombom +18,51%
  • Queijo ralado +16,12%
  • Palmito Pupunha +13,88%

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