Carrefour diz que vai contratar 20 mil profissionais negros por ano

A varejista também afirmou que, até o fim de agosto de 2021, vai criar um programa específico de estágio e outro de trainee destinado à população negra

Foto: REUTERS/Régis Duvignau

Carolina Figueiredo*,

da CNN, em São Paulo

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A rede de supermercados Carrefour (CRFB3) se comprometeu, em um plano de “compromissos antirracistas”, a contratar cerca de 20 mil profissionais negros por ano para atuar em suas lojas. A medida faz parte de uma série de ações que a rede francesa anunciou que vai implementar no Brasil após João Alberto Silveira Freitas, homem negro de 40 anos, ser espancado e morto por seguranças de uma unidade Carrefour em Porto Alegre, na vespéra do Dia da Consciência Negra deste ano.

A varejista também afirmou que, até o fim de agosto de 2021, vai criar um programa específico de estágio e outro de trainee destinado à população negra. Dizendo estar comprometido com a inclusão também em cargos de chefia, o Carrefour garantiu que vai impulsionar o desenvolvimento e capacitação de 100 trabalhadores negros para estes postos, com ações como apoio emocional e bolsas de estudo. 

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No dia 4 de dezembro, a empresa anunciou que vai internalizar toda a equipe de segurança que atua dentro de suas lojas, iniciando a transição com um projeto piloto em quatro unidades do Rio Grande do Sul a partir da próxima segunda-feira (14). 

Além do novo modelo implementado pela rede, o processo de recrutamento seguirá prerrogativas de representatividade: 50% do quadro será composto por mulheres e pessoas negras. Durante o processo de treinamento, os novos seguranças receberão treinamento de práticas antirracistas, cultura e respeito aos direitos humanos.

Outro ponto que o supermercado se comprometeu a adotar, até janeiro do próximo ano, é a inclusão de uma cláusula antirracista e de combate a todo tipo de discriminação em todos os contratos que possui com seus fornecedores. A medida tem como objetivo impactar toda a linha de produção da empresa. 

O Comitê Externo Independente que a empresa formou após o ocorrido e é composto por acadêmicos negros, determinou ainda que a empresa revise, até o fim do próximo mês, sua política de Valorização da Diversidade, enfatizando o tratamento rigoroso dos casos de discriminação e racismo por parte de seus colaboradores, clientes e fornecedores. 

Nesta segunda-feira (11), a Polícia Civil do Rio Grande do Sul concluiu o inquérito sobre a morte de João Alberto e informou que seis pessoas serão indiciadas pelo crime e responderão por homicídio triplamente qualificado.

*Sob Supervisão de Evelyne Lorenzetti

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