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    Com alta nos custos de produção, governo atualiza tabela de preço mínimo da agricultura

    Novos valores têm variação de até 107% para a próxima safra; tabela foi criada para evitar risco de desabastecimento no mercado interno

    Elis Barretoda CNN

    no Rio de Janeiro

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    A alta no preço dos fertilizantes, por conta da Guerra na Ucrânia, irá pressionar os custos de produção das safras 2022/2023. É o que avalia a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) após a divulgação da nova tabela de preços mínimos da safra de verão, divulgada nesta quarta-feira (6) pelo Ministério da Agricultura. Os reajustes chegam a ter uma alta de até 107%.

    O preço mínimo do saco de 60 kg da soja passou de R$ 55,55, na safra de 2022, para R$ 96,71 na nova tabela, uma variação de 77,24%. Já o milho cultivado nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul, com a mesma quantidade, vai custar pelo menos R$ 55,20, um aumento de 76,13% em relação ao preço da última safra, que era de R$ 31,34. Ambos os reajustes passam a valer em janeiro de 2023.

    O superintendente de Estudo de Mercado e Gestão da Oferta da Companhia Nacional de Abastecimento, Allan Silveira, explica que a política de preço mínimo é uma lei criada para promover a regularidade do abastecimento dos produtos agropecuários no Brasil. Segundo Silveira, o custo de produção é a principal variável que se utiliza para a tabela de preços mínimos.

    Ainda segundo Allan Silveira, alguns produtores sentirão mais que outros esse aumento nos custos. Isso porque existem culturas que podem são mais exportadas e outras que a demanda é do mercado interno, o que impossibilita um repasse total dos custos para a cadeia de distribuição.

    “O impacto do custo foi principalmente sobre as culturas que dependem de fertilizantes, então, todas as culturas como soja, milho, arroz, algodão em pluma, feijão, utilizam o produto. O arroz e o feijão, por exemplo, que são mais destinados ao mercado interno, têm menos margem de repasse. Ou seja, o produtor irá absorver esse aumento”, explica o superintendente.

    O novo preço do feijão preto, por exemplo, aumentou 66,47%. O saco de 60 kg passou de R$ 126,33, para o mínimo de R$ 210,30, que começa a ser praticado em novembro deste ano. Já o arroz teve uma variação positiva de 44,53% no saco de 15 kg, passando de 82,60, para R$ 120,45, válidos a partir de março do ano que vem.

    O especialista em grãos da consultoria Safras & Mercado, Luiz Fernando Roque, explica que, além do preço dos fertilizantes, o mundo está em um ciclo de alta das commodities por conta do cenário econômico mundial, resquício da pandemia de Covid-19 e da Guerra na Ucrânia.

    “Está mais caro produzir uma tonelada de granel agrícola no Brasil. Importamos muito fertilizante e a moeda está desvalorizada. Os produtores brasileiros têm gasto mais a cada safra e, para fechar a conta, tem que vender a um preço mais alto”, afirma Fernando Roque.

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