Com custo de produção em alta, preço do frango deve seguir subindo, diz especialista

Preço do frango no atacado já subiu 21,8% no atacado. Previsão de novos aumentos leva em consideração os custos elevados do milho nos últimos meses

No entanto, segundo o consultor, uma das previsões positivas é a possibilidade de leve queda no preço da carne bovina, que pode ajudar a frear a alta dos preços do frango
No entanto, segundo o consultor, uma das previsões positivas é a possibilidade de leve queda no preço da carne bovina, que pode ajudar a frear a alta dos preços do frango 21/02/2006 REUTERS/Franck Prevel

Iuri Corsinida CNN

Rio de Janeiro

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Os preços da carne de frango vão seguir a tendência de alta e, ao menos pelos próximos dois meses, devem ficar ainda mais caros para o consumidor final.

Essa previsão feita por especialistas no setor para os próximos meses é explicada pelos custos elevados do milho no início deste ano, que acabam sendo repassados para os produtores de aves, resultando nos preços mais elevados do frango.

O milho é um dos principais insumos utilizados na ração animal.

Segundo Hyberville Neto, consultor e diretor da HN Agro, esse aumento no preço só não será ainda mais forte devido à pressão da inflação impactando no bolso dos brasileiros.

“O preço do frango no atacado vem subindo e isso tende a ser repassado para o varejo, ainda que esse repasse dependa do poder de compra do consumidor, que está bastante afetado pela situação econômica. Esse repasse só não será mais alto justamente porque o poder de compra da população está prejudicado”, explicou ele, destacando que, em paralelo, é preciso ter atenção ao dólar, que pode afetar as exportações e, assim, arrefecer as cotações no atacado”.

Já o preço do frango congelado, desde o início do ano até agora, subiu 21,8% no atacado. Somente neste mês de abril, houve aumento de 4,9%. O preço do quilo no atacado iniciou em abril a R$ 7,56 e, até segunda-feira (11), já estava em R$ 7,93.

No entanto, segundo o consultor, uma das previsões positivas é a possibilidade de leve queda no preço da carne bovina, que pode ajudar a frear a alta dos preços do frango. Essa redução é esperada em decorrência do início do período seco no país, que acaba aumentando a oferta da carne de boi.

“Nesse período de abril e maio, com a redução da qualidade das pastagens, há a necessidade de o pecuarista ou suplementar esse gado com ração e colocá-lo em confinamento, ou de vender, o que normalmente acontece. E ele vendendo acaba aumentando a oferta o que pressiona o preço do gado, podendo causar uma queda, ainda que modesta, no valor da carne vermelha e ajudar a frear a alta dos preços do frango”, disse Hyberville.

Há também a tendência de leve recuo nos preços da carne de porco. Isso ocorre diante do cenário adverso de exportações e queda no preço dos suínos na China.

Neste mês, o preço médio no atacado começou a R$ 8,09 e teve um leve aumento, chegando a R$ 8,12 na cotação de segunda-feira (11). Esse cenário pode mudar, ao menos no atacado.

Perspectivas para o fim do ano

As expectativas para os próximos meses são de melhorias em relação à produção e queda no preço do milho, aumento da oferta de aves e da continuidade das exportações da carne de frango.

Diante desse cenário de momento, que pode mudar caso haja piora das exportações e de uma consequente diminuição da oferta, a tendência é de que a partir do segundo semestre deste ano o preço das aves volte a cair, como explica Sérgio de Zen, Diretor de políticas agrícolas do Conab.

“O Brasil terá agora uma safra significativa de milho, algo em torno de 125 milhões de toneladas, talvez mais. Isso dá um certo alento diante da situação difícil da Ucrânia. O horizonte no curto prazo agora é de tendência de continuar em patamares de preços elevados.

Porém, com a queda do preço do milho, podemos projetar uma certa redução mais para o final do ano no valor do frango e, com isso, teremos um arrefecimento dos custos da alimentação para a população geral”, disse.

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