Com vendas além da China, lucro operacional da Marfrig mais que dobra no 1º tri

A companhia diminuiu desde o final do ano passado a concentração das exportações de carne para a China, avançando para outros mercados

Marfrig diminuiu concentração de exportações para a China
Marfrig diminuiu concentração de exportações para a China Foto: REUTERS/Paulo Whitaker

Reuters

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A Marfrig Global Foods mais que dobrou seu resultado operacional no 1º trimestre, avançando com vendas de carne bovina para mercados além da China, país fortemente afetado pela pandemia de coronavírus no período, informou a empresa nesta segunda-feira (18).

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado alcançou R$ 1,2 bilhão no período, um salto de 109% no comparativo anual. A margem Ebitda passou de 5,5% no primeiro trimestre de 2019 para 9,1% no intervalo de janeiro a março de 2020.

O CEO da Operação América do Sul da Marfrig, Miguel Gularte, explicou à Reuters que a companhia diminuiu desde o final do ano passado a concentração das exportações de carne para a China, avançando para outros mercados, o que favoreceu os negócios do grupo.

“Assim, quando a China paralisou as compras de carnes no meio do primeiro trimestre por causa do surto de coronavírus, a Marfrig estava com um outro posicionamento”, afirmou.

Na sequência, quando o mercado chinês retomou o apetite de importação da proteína com avidez, em meados de março, “esta retomada atingiu fortemente nosso desempenho (de modo positivo)”, disse, pois a companhia conta com 13 unidades na América do Sul habilitadas para exportar à China.

A receita líquida do período atingiu R$ 13,5 bilhões, aumento de 26,6% em relação ao mesmo período de 2019. Segundo a empresa, entre os fatores que levaram a essa expansão está o crescimento de 65% nas exportações da Operação América do Sul, composta pelas unidades do Brasil, Argentina, Uruguai e Chile.

Após o surto de peste suína africana, iniciado no ano passado, a China se tornou o principal país comprador de carnes do Brasil –a empresa também opera na América do Norte.

Gularte ainda destacou que melhorias na gestão de custos e do endividamento da companhia contribuiu para limitar os efeitos da crise do coronavírus

“A questão de uma estrutura (financeira) mais direta foi o que nos permitiu enfrentar a situação (da pandemia) mais bem posicionados”, disse o CEO.

A receita líquida da Operação América do Sul da Marfrig foi de R$ 3,8 bilhões, crescimento de 26% quando comparado ao faturamento do primeiro trimestre de 2019.

Na operação norte-americana, por meio da controlada National Beef, a receita líquida alcançou US$ 2,2 bilhões, alta de 7% em relação ao mesmo trimestre de 2019 e representou 72% do faturamento total da Marfrig.

“O resultado é reflexo de diversos fatores de mercado, entre os quais, a sólida demanda por carne bovina no mercado doméstico, a maior disponibilidade de gado e consequente aumento do número de abate, bem como o aumento no volume de vendas de produtos prontos no mercado americano”, disse o CEO da operação América do Norte, Tim Klein.

Na avaliação dos executivos da companhia, a paralisação temporária de uma da unidades da National Beef, localizada em Iowa, para conter a disseminação da Covid-19, não acarretou prejuízos financeiros significativos para o grupo.

Em janeiro, a Marfrig liquidou antecipadamente, com recursos próprios, US$ 446 milhões em Notas Sênior com vencimento em 2023 e juros de 8% ao ano.

Adicionalmente, liquidou 938 milhões de reais em operações de capital de giro que oneravam o resultado financeiro, além da redução significativa da compra gado a prazo e a redução de R$ 616 milhões em débitos fiscais federais.

Com isso, o custo médio da dívida no primeiro trimestre atingiu o menor patamar histórico de 5,81% ao ano, uma redução de 113 bps ou 16,3% mesmo período de 2019.

Quanto às perspectivas, Gularte acredita que a companhia deve continuar capturando o benefício da variação cambial por conta das exportações.

“Como a pandemia chegou primeiro nesses países que estão comprando agora, como a China, a exportação vai continuar”, estimou. Somente no Brasil, 72% da produção da empresa vai para o mercado externo.

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