Comissão do Senado sobre crise hídrica prevê início de trabalhos em outubro

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, desponta como provável primeiro convidado para participar de audiência do colegiado, para dar explicações sobre o que o governo federal tem feito para mitigar os efeitos da falta de abastecimento de água

Leandro Resendeda CNN

no Rio de Janeiro

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Senadores da comissão temporária que irá averiguar causas e efeitos da crise hídrica no Brasil preveem que os trabalhos do grupo irão começar na primeira semana de outubro.

À CNN, membros da comissão informaram que pretendem escolher o presidente e o relator e traçar e aprovar um plano de trabalho até a próxima semana para começar a atuar nos primeiros dias do mês que vem.

Apesar da composição do grupo ser majoritariamente de oposição ao presidente Jair Bolsonaro e do tema ter potencial de grande desgaste ao governo por conta da alta da conta de luz e do risco de “apagão” no país apontado por especialistas, os senadores querem levantar respostas rápidas e conseguir apontar sugestões para corrigir eventuais equívocos do Planalto.

Nesse sentido, há uma preocupação no grupo de evitar comparações com a CPI da Pandemia, que se politizou e tinha prerrogativa e função diferente do que o colegiado que se prepara para analisar os impactos da crise.

A ideia dos senadores é iniciar os trabalhos com uma visita à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e trabalhar sobre os dados mais atualizados a respeito da crise energética no país.

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, desponta como provável primeiro convidado para participar de audiência do colegiado, para dar explicações sobre o que o governo federal tem feito para mitigar os efeitos da falta de abastecimento de água.

Além disso, estão no radar da comissão uma convocação para que a Agência Nacional de Águas fale sobre o abastecimento dos rios e uma discussão sobre os efeitos do fim do “horário de verão”, extinto em 2019 pelo presidente Jair Bolsonaro.

Líder da Minoria no Senado, o senador Jean Paul Prates (PT-RN) lembrou que existem “ameaças concretas de racionamento de energia” para defender que a Comissão atue de forma mais célere. Na avaliação dele, a principal pergunta a ser respondida é o porquê de o tema dos apagões ter “desaparecido” por 20 anos da vida dos brasileiros e, agora, ter retornado.

“Não dá para ficar esperando as pessoas virem prestar depoimento, precisa de dinamismo”, afirmou ele, que deve ser o indicado para relatoria da comissão. O senador Marcos Rogério (DEM-RO) é cotado para presidir o grupo.

O senador Carlos Portinho (PL-RJ) afirmou que a comissão precisa ser “propositiva”. “Estamos perto da temporada de chuvas, então a gente pode conseguir superar a crise neste ano. Mas e o ano que vem? A comissão precisa olhar para o futuro para que o país não sofra de novo”.

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