Corrida dos eVTOLs: conheça os principais projetos de ‘carros voadores’

Aeronaves elétricas de pouso e decolagem vertical devem trazer nova modalidade de transporte urbano

eVtols
eVtols Divulgação

Thiago Vinholescolaboração para o CNN Brasil Business

em São Paulo

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Empresas estão apostando que em poucos anos haverá uma nova modalidade de transporte com os eVTOLs, sigla em inglês para aeronaves elétricas de pouso e decolagem vertical.

Também chamados de “carros voadores” ou “táxis aéreos”, esses veículos devem inaugurar o mercado de mobilidade aérea urbana e também uma nova era na aviação, com aeronaves de alta tecnologia.

Os primeiros veículos dessa nova categoria têm estreia previstas entre 2024 e 2026 em diferentes partes do mundo, inclusive no Brasil. A princípio, essas aeronaves contarão com pilotos a bordo acompanhando os viajantes, mas essa concepção deve durar pouco tempo.

No médio prazo, os eVTOLs terão controles autônomos plenamente capazes de realizar viagens seguras e a preços módicos, sem contar com a praticidade de realizar deslocamentos urbanos por via aérea.

Conheça a seguir as principais empresas envolvidas no desenvolvimento dos eVTOLs e seu projetos:

CityAirbus

Estreia: 2025
Pedidos: Não informado

CityAirbus da Airbus Helicopters / Divulgação

Iniciado em 2015, o projeto CityAirbus é liderado pela Airbus Helicopters, a divisão de helicópteros do grupo Airbus. O primeiro demonstrador do eVTOL da empresa, chamada Vahana, iniciou a campanha de ensaios aéreos controlados remotamente em 2019.

Desde então, diferentes versões do veículo, tripulados e não tripulados, já realizaram mais de 240 testes. A versão recente, apresentada neste mês, é o CityAirbus NextGen, modelo que deve voar em 2023 e alcançar a certificação operacional em meados de 2025, de acordo com a fabricante.

O eVTOL da Airbus está sendo desenvolvido para voar a velocidade de cruzeiro de 120 km/h e percorrer 80 km transportando quatro passageiros.

Segundo os idealizadores do projeto, essa performance é “perfeitamente adequada” para operações em grandes cidades e uma variedade de missões. Apesar dos avanços, a empresa ainda não informa se recebeu pedidos pelo novo produto.

Eve

Estreia: 2026
Pedidos: 635

Veículo elétrico de decolagem vertical da Eve, empresa da Embraer
Veículo elétrico de decolagem vertical da Eve, empresa da Embraer / Foto: Divulgação/Eve Urban Air Mobility Solutions, Inc. (Eve)

Nova subsidiária da Embraer, a Eve é um dos nomes mais engajados na causa da mobilidade aérea urbana. Além de fabricar o eVTOL, a empresa brasileira também trabalha com parceiros do desenvolvimento de todo ecossistema que permitirá o emprego comercial dessas novas aeronaves.

Isso inclui projetos sobre postos de recarga elétrica para os veículos, vertiportos de embarque e desembarque de passageiros e elaboração de novos regulamentos de tráfego aéreo, entre outros.

A Eve também desponta como a fabricante de eVTOLs que anunciou mais compromissos públicos com clientes: até o momento, a empresa já se comprometeu com a produção de 635 aeronaves para sete clientes, incluindo duas companhias brasileiras, a Helisul e a Flapper.

Em anúncios recentes, a divisão da Embraer diz que a entrega dos primeiros aparelhos está programada para 2026.

Lilium

Estreia: 2025
Pedidos: 220

Lilium / Divulgação

Fundada em 2015, a startup Lilium, sediada na Alemanha, propõe o Lilium Jet, projetado para transportar sete passageiros a 400 km/h. A propulsão do veículo ficará a cargo de 36 motores elétricos instalados em asas móveis. Os testes de voo com protótipos estão em andamento desde 2019.

A Lilium já conta com ao menos um cliente: a companhia brasileira Azul Linhas Aéreas, que no mês passado anunciou um plano para adquirir 220 eVTOLs da empresa alemã, avaliados em até US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,2 bilhões) e com previsão de início das operações para 2025.

Volocopter

Estreia: 2024
Pedidos: 150

eVTOL da Volocopter, o modelo VoloCity / Reprodução/Instagram

Outra empresa alemã, a Volocopter (antes chamada E-Volo) é pioneira em projetos de veículos eVTOLs. A empresa iniciou sua trajetória no mercado em 2011, mesmo ano em que fez suas primeiras demonstrações de voos com o protótipo VC1.

A companhia também já conseguiu angariar investimentos milionários de grandes conglomerados, incluindo a Geely, umas das maiores fabricantes de automóveis da China, que no mês passado anunciou a compra de 150 aeronaves da marca germânica (o valor do negócio não foi divulgado).

Por ser a empresa mais antiga nesse ramo, a Volocopter pode ser a primeira fabricante a conseguir a certificação operacional para sua aeronave com 18 motores elétricos, o VoloCity, que tem estreia prevista para 2024.

Além deste modelo, que comporta dois ocupantes e já prevê o uso de comandos autônomos, a empresa também trabalha no desenvolvimento do VoloConnect, de maior performance e capacidade para três passageiros, e um aparelho específico para entrega de mercadorias, o VoloDrone.

Vertical Aerospace

Estreia: 2024
Pedidos: 500

Projeção do VA-X4 da Gol / Divulgação

A Vertical Aerospace, do Reino Unido, é o fornecedor escolhido pela companhia aérea Gol em seu plano para operar eVTOLs. A empresa brasileira anunciou neste mês um acordo para receber 250 exemplares do VA-X4, aeronave com oito motores elétricos e cabine para quatro passageiros.

Segundo dados do fabricante, o modelo poderá voar a velocidade de 320 km/h e realizar viagens de até 160 km.

Os modelos encomendados pela Gol serão alugados pela Avolon, empresa de leasing de aeronaves que encomendou 500 unidades do “carro voador” britânico, que é esperado no mercado em 2024 – os demais aparelhos serão destinados às companhias aéreas Virgin Atlantic e American Airlines.

Diferentemente dos outros fabricantes, o VA-X4 ainda não foi demonstrado em voo, algo que deve acontecer somente em 2023, de acordo com a programação da Vertical Aerospace.

A Vertical, sediada em Bristol, na Inglaterra, diz que a VA-X4 que comporta quatro passageiros e possui emissões de carbono zero voará a 200 milhas (321 km/h) por hora por mais de 160 milhas (257 km). A startup planeja realizar o primeiro voo teste no fim do ano, com certificação a partir de 2024.

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