Corte menor que o previsto no Orçamento pode indicar que Bolsonaro não deve conceder reajuste a servidores

Integrantes do governo ouvidos pela CNN disseram que parte dos ministérios já informaram ao Planalto que não conseguiriam resistir às restrições orçamentários.

Prédio do Ministério da Economia em Brasília
Prédio do Ministério da Economia em Brasília Reuters

Thais Arbexda CNN

Brasília

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O bloqueio de R$ 8,2 bilhões no Orçamento, valor abaixo do que R$ 14 bilhões que estavam previstos na semana passada pode indicar que o presidente Jair Bolsonaro (PL) não deve conceder reajuste salarial aos servidores públicos.

Integrantes do governo ouvidos pela CNN em caráter reservado disseram que parte dos ministérios já informaram ao Palácio do Planalto que não conseguiriam resistir aos cortes orçamentários.

De acordo com informações passadas à CNN, os ministérios receberam comunicações do Ministério da Economia sobre os valores que seriam bloqueados.

A pasta comandada por Paulo Guedes queria saber, em resumo, se os bloqueios propostos para bancar o reajuste de servidores e outras despesas obrigatórias eram viáveis. Segundo a CNN apurou, os ministérios tinham que dizer se conseguiriam ‘sobreviver’ até o fim do ano com esses cortes.

Nesta segunda-feira (30), porém, de acordo com integrantes do alto escalão do governo, o Planalto já havia recebido retorno de algumas pastas, apontando para paralisia em determinados projetos caso abrissem mão de parte de seus orçamentos.

Na semana passada, aliados de Bolsonaro disseram à CNN que o presidente só levaria o aumento salarial adiante se tivesse o “ok” dos ministérios que entraram na lista de bloqueios. Agora, de acordo com integrantes do governo, o mandatário do Planalto deve bater o martelo até quarta-feira (1º).

O bloqueio de R$ 14 bilhões previsto na semana passada incluiu o aumento de gastos obrigatórios, como o Plano Safra e pagamento de precatórios, e os recursos necessários para conceder um reajuste de 5% a todos os servidores, o que deve exigir espaço no Orçamento de R$ 6,3 bilhões.

Nas últimas contas, de acordo com auxiliares de Bolsonaro, o governo já não via mais espaço para dar um reajuste diferenciado a algumas categorias da segurança pública, como os funcionários do Departamento Penitenciário Nacional (Depen). Na semana passada, um integrante da Esplanada dos Ministérios já dizia que só havia duas possibilidades na mesa: aumento linear de 5% ou nenhum reajuste.

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