Dólar cai mais de 1% com esperanças de recuo da COVID-19 na Europa e nos EUA

A permanência do ministro da Saúde do Brasil, Luiz Henrique Mandetta, em seu cargo também impulsionava o sentimento

Moeda americana cede ante real em semana de otimismo nos mercados internacionais (26.mar.2015)
Moeda americana cede ante real em semana de otimismo nos mercados internacionais (26.mar.2015) Foto: Gary Cameron/Reuters

Do CNN Brasil Business, em São Paulo*

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O dólar terminou em queda de mais de 1% nesta terça-feira (7), acompanhando a esperança dos mercados internacionais com a diminuição do ritmo de contágio do coronavírus na Europa e em regiões dos Estados Unidos. No mercado à vista, a cotação caiu 1,20%, a R$ 5,2283, depois de ter ficado perto de 5,30 reais na véspera.  

O número total de casos confirmados de COVID-19 na Itália teve o menor aumento diário desde 17 de março na segunda-feira, ressaltando a expectativa de que a doença possa estar recuando graças a uma quarentena nacional introduzida em 9 de março. 

Nos Estados Unidos, os governadores de Nova York e Nova Jersey disseram que seus Estados, epicentros da doença no país, estão mostrando sinais iniciais de um “achatamento” do surto.

“Os números que chegam da Europa e dos Estados Unidos, relativos ao crescimento dos infectados com o novo coronavírus estão cada vez menores”, disse a Corretora Empiricus em post no Twitter. “Essa notícia tem injetado uma boa dose de ânimo nos mercados.”

No Brasil a  permanência do ministro da Saúde do Brasil, Luiz Henrique Mandetta, em seu cargo após atritos com o presidente Jair Bolsonaro ajudou a impulsionar o otimismo dos investidores. 

“A manutenção de Mandetta no cargo deve deixar os investidores mais aliviados e sustentar o bom humor externo”, completou a Empiricus.

Na avaliação de Roberto Serra, gestor sênior de câmbio da Absolute Investimentos, o mercado de moedas acabou compensando um pouco o atraso recente, “já que nos últimos vários dias o dólar seguiu em alta no mundo apesar da tentativa de recuperação das bolsas”, disse. 

A queda também foi ajudada ainda por leilão extraordinário de contratos de swap cambial tradicional pelo Banco Central (BC). A venda desse derivativo equivale a uma colocação de dólar no mercado futuro. O BC aceitou propostas equivalentes a US$ 165 milhões (de uma oferta de US$ 500 milhões), depois de pela manhã vender US$ 230 milhões em operação de rolagem (lote total de US$ 500 milhões).

Instabilidade à vista 

A recuperação dos mercados não significa, no entanto, o fim da incerteza, segundo a Levante Investimentos. “Esse otimismo tem de ser visto com um grama de cautela”, afirmou em nota. “Os líderes europeus permanecem em desacordo sobre como atenuar as consequências econômicas da pandemia. (…) Outra preocupação econômica é a velocidade com que será possível extinguir os bloqueios e “religar” a economia.”

Entre a pandemia de coronavírus, ruídos políticos, juros mais baixos e falta de investimento estrangeiro, o dólar já acumula alta de quase 30% contra o real em 2020.

*Com informações da Reuters

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