Embraer x Bombardier e Airbus x Boeing: entenda fim das disputas e o que esperar

Disputas envolvendo Airbus, Boeing, Embraer e Bombardier chegaram ao fim a pedido de países que querem se proteger da concorrência chinesa

O Airbus A330neo da Azul
O Airbus A330neo da Azul Foto: Divulgação/A Doumenjou/Masterfilms/Airbus

Leonardo Guimarães,

do CNN Brasil Business, em São Paulo

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Neste ano, chegaram ao fim duas longas disputas na Organização Mundial do Comércio (OMC) envolvendo fabricantes de aeronaves. Apesar de litígios diferentes, o objeto principal era o mesmo: subsídios dados pelos governos. Os países envolvidos nas disputas parecem agora estar unidos por causa de uma ameaça chinesa. 

Em fevereiro, o governo brasileiro comunicou à OMC a decisão de encerrar disputa contra o Canadá, iniciada no organismo em 2017, em que questionava os subsídios concedidos pelos canadenses à Bombardier.

Nesta terça-feira (15), foi a vez de Estados Unidos e União Europeia resolverem uma longa disputa comercial sobre subsídios à Airbus e à Boeing

A disputa data de 2004, quando as autoridades da UE disseram que a Boeing havia recebido US$ 19 bilhões em subsídios injustos dos governos federal e estadual. Os Estados Unidos entraram com uma ação semelhante naquele ano sobre os subsídios europeus à Airbus.

O que está por trás dessas decisões?

A resposta é: tentativa de se proteger da China. 

A grande ameaça é a Commercial Aircraft Corporation of China (COMAC), que “fez seu nome” depois que a Boeing teve sérios problemas com seus 737 MAX

A estatal chinesa já tem pelo menos 815 pedidos provisórios, sendo quase todos de empresas da China, a mais nova aeronave de corredor único da COMAC irá competir diretamente com o Boeing 737 MAX e o Airbus320neo.

Atendendo “apenas” o enorme mercado chinês, a expectativa é que a COMAC comece a ganhar escala para bater de frente com as gigantes da aviação mundo afora. 

Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, explicou no podcast Abertura de Mercado que quando as empresas entram no mesmo segmento, só há espaço para lucro por causa dos subsídios.

“Agora, com esse acordo garantindo que nenhuma das regiões vai oferecer subsídios, o mercado tende a oferecer um equilíbrio melhor”, afirma Cruz. 

Nessa história, a Embraer pode se dar bem. A empresa brasileira atende principalmente o mercado dos Estados Unidos. Com a retomada econômica em um ritmo melhor que o esperado, a posição da fabricante é considerada confortável no setor. 

Por que subsídios?

Fabricar aeronaves, você pode imaginar, é uma tarefa cara. As empresas precisam investir muito em pesquisa e desenvolvimento. 

Um dos principais objetivos das empresas é aumentar a eficiência dos aviões para que precisem cada vez menos de combustível. 

Os governos concediam subsídios para ver se as empresas de seus países prosperariam e gerariam mais empregos, além de atrair investimentos de outras empresas no ecossistema da aviação. 

Na disputa com os canadenses, o Brasil questionava os subsídios de mais de R$ 3 bilhões repassados à Bombardier para a produção de aeronaves C-Series.

Além dos questionamentos, envolvendo as produtoras de aeronaves, há também acusações de incentivos injustos para fornecedores dessas empresas. Por isso, este é um assunto que deve continuar nos noticiários por um tempo.

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