Empresas de tecnologia dos EUA aproveitam bom momento para atrair investidores

O Airbnb e a DoorDash podem arrecadar bilhões de dólares enquanto a compra da plataforma de mensagens Slack foi comprada por quase US$ 28 bilhões

<strong>Site do Airbnb, plataforma de aluguel de casas e apartamentos para turismo </strong>
<strong>Site do Airbnb, plataforma de aluguel de casas e apartamentos para turismo </strong> Foto: Divulgação

Julia Horowitz,

do CNN Business, em Londres

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As maiores empresas de tecnologia fortaleceram seu controle sobre a economia mundial durante a pandemia. Agora, o setor está aproveitando um momento de euforia do mercado para se preparar para o que vem em seguida.

O que está acontecendo: o Airbnb e a DoorDash podem arrecadar bilhões de dólares por meio de ofertas públicas iniciais (IPOs), enquanto a compra da plataforma de mensagens Slack pela Salesforce por quase US$ 28 bilhões é uma aposta no futuro do trabalho.

A semana está repleta de negociações no mundo da tecnologia, com os bancos de investimento ajudando as empresas a se preparar para a vida pós-2020.

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A chegada de vacinas seguras e eficazes deu aos investidores uma maior confiança, tornando mais fácil para as empresas fazerem sua estreia em Wall Street com promessas ousadas sobre o crescimento futuro.

Na terça-feira (1), o Airbnb divulgou que planeja vender ações em uma faixa de preço de US$ 44 a US$ 50. No limite superior dessa faixa, o Airbnb seria avaliado em pouco mais de US$ 30 bilhões, não muito distante de uma avaliação privada, realizada antes da pandemia dizimar a demanda por viagens.

Se a abertura de capital for adiante a US$ 47 por ação, a negociação pode levantar até US$ 2,5 bilhões. É um número impressionante para uma empresa que passou por um ano extremamente desafiador, cortando custos e confiando mais em estadias de longo prazo próximas das residências das pessoas. 

E a empresa não está sozinha: o aplicativo de entregas DoorDash disse no início desta semana que sua IPO poderia levantar US$ 2,54 bilhões com um preço das ações a US$ 80, o ponto médio da faixa esperada.

Enquanto isso, outras empresas de tecnologia estão aumentando sua exposição com a computação em nuvem e os serviços que oferecem suporte ao trabalho remoto, que foram pontos positivos durante a pandemia.

A Salesforce, que vende softwares de gerenciamento de clientes baseados em nuvem e outros aplicativos corporativos, disse que sua aquisição do Slack, anunciada na terça-feira (1), ajudará a reforçar suas ofertas em um momento crucial.

“Juntos, a Salesforce e o Slack irão moldar o futuro do software empresarial e transformar a maneira como todos trabalham de qualquer lugar e em um mundo totalmente digital”, afirmou o CEO da Salesforce, Marc Benioff.

O movimento recente não é apenas um fenômeno dos EUA. Após vender quase US$ 100 bilhões em ativos, o conglomerado japonês SoftBank está de volta ao modo de compra. A Sinch, uma empresa sueca de nuvem e telecomunicações, disse nesta semana que o SoftBank havia adquirido uma participação de 10% na empresa, cujas ações tiveram o melhor desempenho da Europa neste ano.

Além disso, a fabricante chinesa de smartphones Xiaomi disse na quarta-feira (2) que está levantando mais de US$ 3 bilhões para investimentos estratégicos e expansão nos principais mercados.

Um passo atrás, porém. Em um relatório recente, a Bain & Company observou que os preços de ações das empresas de tecnologia têm sido “resilientes” durante a recente crise, e muitas estão montadas em pilhas de dinheiro. Isso cria as condições para uma onda de gastos.

“Aqueles com meios disponíveis usarão essa oportunidade para adquirir novos recursos e reposicionar suas organizações para o mundo pós-pandemia”, disseram os sócios Adam Haller e Chris Johnson.

Três coisas a se observar

Os investidores mundiais estão assistindo a três grandes eventos em dezembro: o lançamento da vacina contra a Covid-19, os pacotes de estímulo e as negociações comerciais do Brexit. Em todas as frentes houve avanços importantes.

Sobre as vacinas: O Reino Unido se tornou o primeiro país ocidental a aprovar uma vacina para a Covid-19, um momento marcante na pandemia do novo coronavírus que abre caminho para que as primeiras doses sejam distribuídas em todo o país na próxima semana. “A ajuda está a caminho”, anunciou o Secretário de Saúde Matt Hancock na manhã de quarta-feira (2), depois que as agências reguladoras do Reino Unido concederam uma autorização de emergência para uma vacina feita pela gigante farmacêutica americana Pfizer e sua parceira alemã BioNTech.

Sobre o estímulo: O presidente eleito Joe Biden disse que sua prioridade é aprovar um pacote de estímulo no Congresso, mesmo antes de assumir o cargo. Na terça-feira (1), um grupo bipartidário de legisladores divulgou um pacote no valor de cerca de US$ 900 bilhões com o objetivo de iniciar as negociações paralisadas. Embora o plano não tenha o apoio do líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, a pressão para agir está crescendo. O senador McConnell indicou na terça-feira (1) que os republicanos podem tentar combinar os gastos com o estímulo com a legislação, para manter o financiamento do governo e evitar um fechamento. No entanto, isso exigiria a adesão de ambas as partes.

Sobre o Brexit: Relatórios divulgados na terça-feira (1) indicaram que as negociações de um acordo comercial entre o Reino Unido e a União Europeia estavam chegando a uma conclusão positiva. Isso colocou a libra esterlina acima de US$ 1,34, seu patamar mais alto em mais de dois anos. Mas um diplomata da UE disse à CNN na quarta-feira (2) que existem diferenças e ainda não há garantia de acordo.

As ações estão dando uma pausa na quarta-feira (2), após um forte início em dezembro. Mas um progresso adicional em qualquer uma dessas áreas pode mudar os mercados.

Diversidade na Nasdaq

A Nasdaq quer dar um ultimato às empresas listadas em sua bolsa: diversifiquem seus conselhos ou caiam fora.

Detalhes, detalhes: a bolsa está propondo uma regra que exigiria que as empresas tivessem pelo menos dois diretores “diversos”, incluindo uma mulher e um membro de um grupo minoritário sub-representado, como relata meu colega da CNN Business, Chris Isidore. Empresas menores e companhias estrangeiras na bolsa poderiam participar com duas diretoras mulheres.

Uma empresa pode ter suas ações retiradas da bolsa se não atender a esses requisitos.

Visão geral: a Nasdaq se junta a um grupo crescente de vozes que pressionam por maior diversidade nos conselhos das empresas. Em setembro, o governador da Califórnia, Gavin Newsom, assinou uma lei que exige pelo menos um membro minoritário nos conselhos de todas as empresas de capital aberto com sede no estado. O Goldman Sachs disse que não abrirá o capital de uma empresa a menos que tenha pelo menos um membro diverso no conselho.

Muitas grandes empresas de capital aberto já cumprem os requisitos mínimos da regra. Um porta-voz da Nasdaq disse acreditar que pelo menos 85% de suas 3.249 empresas listadas têm uma mulher ou uma minoria sub-representada em seus conselhos.

O que vem a seguir: caso a regra tenha a aprovação da Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, as empresas listadas na Nasdaq precisariam ter pelo menos um diretor de um grupo diverso em dois anos, e dois em até quatro a cinco anos, dependendo do tamanho da empresa.

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês)

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