Essas empresas estão pedindo para você não usar seus produtos durante a crise

Para estimular o isolamento social, marcas como Uber e Fiat Chrysler lançaram anúncios pedindo para que as pessoas fiquem em casa

O aplicativo de transporte Uber (05.mar.2020)
O aplicativo de transporte Uber (05.mar.2020) Foto: Luisa Gonzalez/Reuters

Chris Isidore,

do CNN Business

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Uber e Fiat Chrysler estão adotando uma abordagem incomum em seus anúncios durante o coronavírus: elas estão pedindo às pessoas que não usem seus produtos.

Um anúncio de 60 segundos veiculado recentemente pela Uber na TV norte-americana mostra uma montagem de cenas de pessoas em quarentena em casa. “Fique em casa por todos que não podem”, diz o comercial no final. “Obrigado por não pegar um Uber.”

Como explica Joseph Turow, professor da Escola de Comunicação Annenberg da Universidade da Pensilvânia, não é incomum as empresas exibirem anúncios que tentam entrar no clima geral durante um período de crise e tragédia. Mas ele disse que o anúncio da Uber (UBER) é único, pois na verdade recomenda às pessoas que não usem o produto.

“Retoricamente falando, a empresa está se alinhando aos objetivos da nação, às coisas que formam a definição do que são os Estados Unidos”, explicou. “O anúncio diz: ‘somos parte disso, pense boas coisas a nosso respeito'”. O professor explica também a Uber também está fazendo uma estratégia de controle de danos depois que começaram a surgir histórias de que seus motoristas estão sob risco ao transportar passageiros durante a pandemia.

Thomas Ranese, vice-presidente de marketing da Uber, disse que a empresa manterá a propaganda no ar nas próximas duas semanas para enfatizar a importância de ficar em casa. O anúncio representa “uma empresa que é sinônimo de movimento, agradecendo as pessoas por não se moverem, porque agora ajuda a salvar vidas”, afirmou no comunicado.

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A Fiat Chrysler (FCAU) não está aconselhando especificamente os clientes a não comprarem carros. Mas uma campanha de mídia social lançada na sexta-feira pede às pessoas para deixarem seus veículos na garagem e não dirigirem por enquanto.

Com isso, a empresa deu nova roupagem ao seu anúncio veiculado no último Super Bowl, que havia sido inspirado no filme “Feitiço do Tempo” e estrelado por Bill Murray, protagonista do filme de 1993. No lugar de colocar o ator gostando da repetição do mesmo dia por causa de sua chance de dirigir um Jeep — como era na propaganda mostrada no Super Bowl –, a campanha contém uma mensagem sobre ficar preso em casa.

“Entendemos que todo dia começa a parecer o mesmo dia”, diz o anúncio, antes de passar para a propaganda ao Super Bowl que mostra Bill Murray acordando novamente e ouvindo “I’ve got you babe”, com Sonny and Cher, no despertador. “Fique em casa. Fique saudável”, diz o anúncio. Em seguida, a propaganda mostra um Jeep numa trilha e diz: “Quando tudo acabar, as trilhas estarão esperando”.

Há também anúncios veiculados online do Chrysler Pacifica e das marcas Ram e Alfa Romeo, que pertencem à empresa. O anúncio do Jeep é semelhante a outros publicados quase no final da Segunda Guerra Mundial, conta Turow. À época, as empresas que não foram capazes de fabricar produtos de consumo durante a guerra prometiam aos clientes que eles poderiam comprar seus produtos novamente em breve. O mais famoso desses anúncios foi o que prometeu “Existe um Ford no seu futuro”.

As vendas de carros nos EUA caíram acentuadamente durante a crise, com muitas concessionárias fechando ou limitando as vendas. “Esse tipo de ação mostra às pessoas que as coisas vão mudar”, disse Turow. Ao fazerem essas campanhas, as empresas estão tentando criar interesse futuro nos seus produtos para quando essa mudança ocorrer, mesmo que as pessoas não possam comprá-los agora.

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