Bolsas dos EUA fecham em queda com Ômicron e declarações de Jerome Powell

Presidente-executivo da Moderna afirmou que a vacina não é tão eficiente contra a Ômicron, gerando preocupações nos mercados

Aumentos de previsões da Accenture e Salesforce somavam-se ao humor positivo.
Aumentos de previsões da Accenture e Salesforce somavam-se ao humor positivo. 04/05/2021REUTERS/Brendan McDermid

Artur Nicocelido CNN Brasil Business*

São Paulo

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As bolsas norte-americanas operaram em queda nesta terça-feira (30) após as fabricantes de vacinas levantarem preocupações sobre a eficácia dos imunizantes (já produzidos) contra a nova variante do coronavírus e Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, falar sobre como a Ômicron pode impactar na inflação e no aumento da taxa de juros norte-americana.

O Dow Jones recuou 1,86%, aos 34.483 pontos (perdendo mais de 500 pontos hoje), o S&P operou em queda de 1,90%, aos 4.567 pontos e o Nasdaq teve baixa de 1,55%, aos 15.537 pontos (cerca de 200 pontos a menos, se comparado com a abertura do pregão desta terça).

A falta de informações concretas até agora está gerando incertezas e, com ela, a volatilidade no mercado acionário dos Estados Unidos cresce. O presidente-executivo da Moderna, Stéphane Bancel, por exemplo, afirmou que a vacina provavelmente não é tão eficaz contra a nova variante, gerando preocupações nos mercados.

“Acho que vai ter uma queda. Só não sei quanto, porque precisamos esperar pelos dados. Mas todos os cientistas com quem conversei estão tipo ‘isso não vai ser bom’”, disse Bancel ao Financial Times em entrevista.

“Os mercados estão em um padrão de holding onde ninguém sabe se isso será um problema ou não”, declarou Mike Bell, estrategista do JP Morgan Asset Management, ao The Wall Street Journal.

No radar dos investidores também está a declaração do chair do Fed. Powell disse nesta terça-feira que o Banco Central dos Estados Unidos provavelmente discutirá a aceleração da redução de suas compras de títulos em sua próxima reunião de política monetária, em meio à força da economia e a expectativas de que a inflação elevada persistirá até meados do próximo ano.

“Neste ponto a economia está muito forte e as pressões inflacionárias estão altas e, portanto, é apropriado, a meu ver, considerar encerrar a redução das nossas compras de ativos — que anunciamos de fato na reunião de novembro – talvez alguns meses mais cedo, e espero discutir isso em nossa próxima reunião, em duas semanas”, disse o presidente em audiência ao Comitê Bancário do Senado dos EUA.

O Fed começou a reduzir seu apoio à economia neste mês e atualmente está em vias de encerrar totalmente seus US$ 120 bilhões em compras mensais de Treasuries e títulos lastreados em hipotecas até junho do ano que vem. O programa foi introduzido no início de 2020 para ajudar a proteger a economia durante a pandemia de Covid-19.

Várias autoridades do Fed já haviam defendido que o banco central acelerasse o ritmo de corte de estímulo para encerrá-lo em algum momento da primavera (no Hemisfério Norte), de forma a permitir um início mais cedo dos aumentos de juros nos EUA, caso isso seja necessário para controlar a inflação.

Powell também afirmou ontem (29) que continua a esperar que a inflação retroceda no próximo ano conforme a oferta e a demanda se equilibrarem, mas alertou que a nova cepa da Covid-19 turva o cenário, e que os preços podem continuar a subir por mais tempo do que imaginado antes.

“É difícil prever a persistência e efeitos das restrições de oferta, mas parece agora que fatores que elevam a inflação vão persistir no próximo ano”, argumentou o chair. “[Mas] a economia continua a se fortalecer, e o mercado de trabalho a melhorar, elevando os salários”.

Por outro lado, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, tem boas esperanças sobre o futuro. Ele afirmou na última segunda-feira (29) que a variante não é para pânico, mas sim preocupação. “Temos as melhores vacinas do mundo, melhores medicamentos e cientistas, aprendemos a cada dia e vamos combater essa variante com ciência e conhecimento, não caos e confusão”, afirmou.

Até o momento não há casos confirmados nos Estados Unidos da Ômicron.

*Com Reuters

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