EUA: Meta para retomada ainda não havia sido atingida em junho, diz Fed em ata

Comentário veio em ata do encontro do banco central norte-americano, divulgada nesta quarta-feira

Foto: Reuters/Leah Millis

Reuters

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As autoridades do Federal Reserve que se reuniram em junho avaliaram que o objetivo de mais progresso substancial da recuperação dos Estados Unidos ainda não fora atingido de forma geral, embora os participantes esperem que os avanços continuem, de acordo com a ata do encontro do banco central norte-americano divulgada nesta quarta-feira.

“Vários participantes” da sessão ainda sentiram que as condições para reduzir as compras de ativos serão “atingidas de certa forma mais cedo do que eles esperavam”, enquanto outros viram um sinal menos claro vindo dos dados.

 

“Em geral, os participantes julgaram que, por uma questão de planejamento prudente, é importante estar bem posicionado para reduzir o ritmo de compras de ativos, se apropriado, em resposta a acontecimentos econômicos inesperados, incluindo progresso mais rápido do que o esperado na direção das metas do Comitê ou o surgimento de riscos que possam impedir o cumprimento das metas do Comitê”, apontou a ata.

A reunião de 15 e 16 de junho do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) mostrou que o banco central dos Estados Unidos passou a uma visão pós-pandemia do mundo, retirando a antiga referência ao coronavírus como restrição à economia e, nas palavras do chair do Fed, Jerome Powell, “falando sobre falar” quando mudar a política monetária também.

O início dessa discussão, junto com projeções para a taxa de juros mostrando custos de empréstimos mais elevados já em 2012, levou investidores a antecipar um movimento do Fed mais rápido do que o esperado para encerrar seu suporte a uma economia que ainda sofre com altos níveis de desemprego e, agora, com inflação em alta.

Os rendimentos de longo prazo dos Treasuries estão perto de mínimas de cinco meses, e a diferença entre eles e os de curto prazo tem se estreitado, algo normalmente associado a um ceticismo sobre o cenário para o crescimento econômico de longo prazo.

O analista da Cornerstone Macro Roberto Perli escreveu recentemente que “o mercado vê a mudança do Fed como prejudicial às perspectivas de longo prazo para a economia dos EUA”, com o compromisso do Fed de retornar ao pleno emprego enfraquecendo diante da inflação mais alta do que o esperado.

Powell, em declarações a repórteres ao fim da reunião do mês passado, disse que qualquer aumento na taxa de juros referencial do Fed ante o atual nível de quase zero permanece distante. Ele afirmou, no entanto, que o Fed iniciaria uma avaliação “reunião por reunião” sobre quando começar a reduzir suas compras mensais de 120 bilhões de dólares em títulos do Tesouro e títulos lastreados em hipotecas, e sobre como anunciar seus planos para isso.

A economia dos EUA, disse ele naquele momento, ainda estava “longe” do progresso sobre criação de vagas de trabalho que o Fed quer ver antes de reduzir seu programa, que sustenta a economia tornando as compras de moradias, carros e itens similares mais fácil ao reduzir custos de empréstimos para famílias e empresas.

Mas “estamos fazendo avanços”, disse Powell na entrevista, acrescentando que de tal maneira ele e seus colegas precisam agora “esclarecer…o pensamento em torno do processo de decidir se e como ajustar o ritmo e a composição das compras de ativos”.

MOMENTO DA REDUÇÃO

O que investidores querem saber é a rapidez das discussões e quando a redução real pode começar.

Várias autoridades regionais do Fed disseram sentir que a economia está perto do ponto em que o banco central deve recuar. Entretanto, mesmo algumas delas indicaram que demorará várias reuniões para desenvolver e anunciar um plano de redução das compras.

As próximas duas reuniões do Fed estão marcadas para 27 e 28 de julho e 21 e 22 de setembro. Nesse ínterim, o banco central vai realizar sua conferência em Jackson Hole, Wyoming, evento que os chefes do Fed muitas vezes usaram para sinalizar mudanças na política monetária.

 

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