Falso comunicado em nome do Walmart faz criptomoeda subir 25%

Golpistas divulgaram informação falsa de que o Walmart aceitaria o litecoin como meio de pagamento, o que impulsionou o ativo

Caso envolvendo a litecoin aparenta ter sido uma prática de "pump and dump"
Caso envolvendo a litecoin aparenta ter sido uma prática de "pump and dump" NurPhoto via Getty Images

Nathaniel Meyersohndo CNN Business

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No que parece ser um esquema massivamente bem-sucedido de “pump and dump” (bombear e descartar, em português), a criptomoeda litecoin disparou em torno de 25% nesta segunda-feira (13) depois que um comunicado falso disse que o Walmart começaria a aceitar a forma de pagamento em suas compras online.

Os investidores tiveram muitas razões para acreditar que a notícia era verdadeira: a conta verificada da litecoin no Twitter publicou um link para o anúncio, que apareceu no serviço de comunicados à imprensa GlobeNewswire.

O comunicado parecia legítimo, e tinha afirmações inventadas e atribuídas ao presidente do Walmart, Doug McMillon. A empresa tinha acabado de publicar uma vaga de trabalho em sua sede para um especialista em criptomoedas. Além disso, diversas organizações de notícias compartilharam a informação.

O anúncio, entretanto, era falso, confirmou um porta-voz do Walmart. A empresa não está aceitando o litecoin, e a conta da criptomoeda deletou a publicação. Uma hora depois do anúncio, o preço do litecoin caiu de mais de US$ 220 de volta para US$ 178 – em torno de onde estava antes da informação falsa se espalhar.

Ainda não está claro quem eram os golpistas, mas o esquema é provavelmente um “pump and dump”. Ele ocorre quando pessoas compram um ativo e fazem com que o preço suba – tipicamente por meio de fake news – e depois vendem o ativo quando os preços disparam.

A GlobeNewswire removeu o comunicado minutos depois da CNN procurar a companhia, e publicou uma correção, pedindo aos investidores e à mídia para ignorar o anúncio. Entretanto, nenhum porta-voz da empresa respondeu a uma solicitação de comentário sobre o caso.

Apesar do comunicado parecer autêntico à primeira vista, ele continha alguns sinais de que era uma fake news. Havia um estranho site “Walmart-corp.com” como endereço de e-mail do chefe de marketing do Walmart.

Ele usava também um título parcial para se referir a McMillon. E foi o primeiro e único comunicado que o Walmart publicou no GlobeNewswire.

A litecoin seria, além disso, uma escolha estranha para o Walmart. Apesar de estar entre as criptomoedas mais antigas no mercado, ela está fora das 10 maiores, e tipicamente não está entre as mais comercializadas.

Entretanto, isso mudou na segunda-feira, quando muitos bilhões de dólares em litecoin mudaram de mãos, de acordo com a plataforma online Coinbase.

Os esquemas de “pump and dump” geralmente ocorrem em mercado pouco regulados, como o de ações que custam centavos e o de criptomoedas, onde os reguladores e investidores têm pouca informação sobre o mercado e pouca habilidade para suspeitar de atividade criminosas.

Apesar de ser incomum, o comunicado falso à imprensa do Walmart não foi o primeiro do tipo.

Os últimos meses têm sido turbulentos para as criptomoedas, que cresceram há poucos anos. O bitcoin, que atingiu a máxima de US$ 65 mil em abril, despencou para US$ 28 mil em junho depois da China aumentar a repressão contra moedas digitais. Atualmente, seu valor é de US$ 44 mil.

As preocupações regulatórias em torno das criptomoedas também aumentaram. O Senado dos EUA incluiu uma provisão na proposta de US$ 1.2 trilhão de investimentos em infraestrutura que foi aprovada no mês passado. Ela impõe mais regulação federal para as criptomoedas.

A proposta também expande o número de usuários de criptomoedas que precisariam reportar seus ganhos para o Internal Revenue Service. A medida precisa ser aprovada pela Câmara dos Representantes antes de ser encaminhada para o presidente Joe Biden.

(Texto traduzido. Leia aqui o original em inglês.)

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