Falta de matéria-prima é maior preocupação das indústrias, aponta CNI

Produção manteve-se estável em setembro na comparação com agosto, mas número de empregados aumentou

Otimismo dos empresários do setor teve leve queda em outubro de 2021
Otimismo dos empresários do setor teve leve queda em outubro de 2021 José Paulo Lacerda/Agência CNI

João Pedro Malardo CNN Brasil Business*

em São Paulo

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A sondagem industrial divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta sexta-feira (22) apontou que a falta ou alto custo de matérias-primas ainda é a maior preocupação no setor industrial brasileiro.

Segundo os dados do levantamento, a preocupação com problemas ligados às matérias-primas caiu a cada trimestre do ano, mas segue elevada. Entre os empresários entrevistados, 67,2% citavam essa questão no primeiro trimestre, contra 62,4% no terceiro.

A sondagem apontou que os preços das matérias-primas continuam em alta no Brasil. O indicador que acompanha os preços registrou 73,2 pontos no terceiro trimestre, indicando alta. Apesar disso, ele ficou 0,9 ponto menor em relação ao trimestre anterior.

Já o medo com problemas atrelados à energia aumentou, conforme a crise hídrica e seu efeito sobre a geração de energia por hidrelétricas se intensificou. A preocupação foi citada por 11,3% no primeiro trimestre, e agora 24,7% apontaram a questão.

De acordo com a CNI, a questão de alta no custo da energia, com aumento de uso das termelétricas para compensar a produção, deve continuar como um problema para as indústrias nos próximos meses.

Além das matérias-primas e da energia, a carga tributária elevada e a taxa de câmbio foram citadas como principais problemas enfrentados pela indústria. Com leve alta em relação ao segundo trimestre, foram apontados por 34,6% e 24,9% dos entrevistados, respectivamente.

Fechando as cinco maiores preocupações está a demanda interna insuficiente, citada por 19,4% dos entrevistados.

Produção e emprego

O levantamento da CNI apontou que a produção industrial brasileira manteve-se estável em setembro de 2021, mas caiu em relação a agosto. O índice de difusão registrou 50 pontos, valor usado como divisor entre alta ou queda na produção.

Segundo a instituição, o índice ficou bem abaixo do valor de outubro de 2020, de 59,1 pontos. Entretanto, a diferença era esperada, devido ao cenário de retomada econômica e recuperação industrial no terceiro trimestre de 2020.

Em relação a agosto de 2021, a produção das pequenas e médias indústrias caiu, com índices de 48,9 e 49,3 pontos, respectivamente. Já a de grandes indústria aumentou, com 51 pontos.

A utilização da capacidade instalada da indústria não teve alteração entre agosto e setembro, mantendo-se em 72%. O valor é igual ao do mesmo mês em 2020, e supera os valores de setembro de 2015 até 2019.

As contratações no setor industrial continuam a subir. Em setembro deste ano, o índice de difusão para o emprego industrial registrou 52,1 pontos. O valor indica que os empregos aumentaram em relação ao mês anterior.

Com exceção de abril de 2021, todos os últimos 15 meses tiveram uma trajetória de emprego ascendente, com o índice acima de 50 pontos.

Expectativas do setor

A insatisfação com as margens de lucro aumentou entre os entrevistados da sondagem. Já a satisfação com a situação financeira diminuiu, mas segue acima da média histórica. Eles apontaram ainda que o acesso ao crédito está mais difícil. Os indicadores são registrados trimestralmente.

Os empresários entrevistados em outubro de 2021 reduziram levemente o otimismo, revertendo uma tendência de alta iniciada em abril deste ano.

Atualmente, o índice de expectativa de demanda está em 57,1 pontos. Os valores acima de 50 pontos indicam expectativa de alta.

Já a intenção de investimentos caiu 0,6 ponto em outubro em relação ao mês anterior. Com 57,9 pontos, ela também segue acima de 50 pontos, indicando que há intenção de investir entre o empresariado.

As perspectivas para exportações, compras de matérias-primas e para alta no número de empregados também seguiram positivas em outubro.

A sondagem entrevistou 1.954 empresas, sendo 781 de pequeno porte, 691 de médio porte e 482 de grande porte. O período da coleta de dados foi de 1º a 15 de outubro.

*Sob supervisão de Thâmara Kaoru

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