Franquias fecham muitas portas mas esperam recuperação dos negócios

Entre as 160 mil unidades de franquias espalhadas pelo país, 18,4% tiveram faturamento zero entre abril e maio, segundo dados da ABF

Pessoas circulam de máscara por rua de comércio popular no centro do Rio de Janeiro durante pandemia da Covid-19
Pessoas circulam de máscara por rua de comércio popular no centro do Rio de Janeiro durante pandemia da Covid-19 Foto: Lucas Landau/Reuters (29.jun.2020)

Thais Herédiada CNN

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A crise provocada pelo novo coronavírus afetou praticamente todos os setores da economia brasileira. Não foi diferente entre as franquias, que respondem por 2,7% do PIB do país. As perdas foram inéditas entre abril e maio, com faturamento caindo 48,2% e 41% respectivamente. Neste período 1535 unidades encerraram os negócios, sem fôlego para atravessar o pior da crise, segundo dados exclusivos da Associação Brasileira de Franchising, obtidos pela CNN. 

“Um número de fechamentos assim já aconteceu em outras crises, mas não num período tão curto. Posso dizer que até me surpreendeu positivamente, porque na minha cabeça, seria um número maior. Infelizmente, isto ainda vai crescer. Vamos ver se agora que o crédito começou a chegar, alguns franqueados conseguem segurar mais tempo”, disse à coluna André Friedheim, presidente da ABF.  

Entre as 160 mil unidades de franquias espalhadas pelo país, 18,4% tiveram faturamento zero entre abril e maio. Isto aconteceu com aqueles que não puderam recorrer ao e-commerce, delivery ou venda por telefone, modalidades que mitigaram as perdas da atividade econômica no período de quarentena e paralisação do comércio e da prestação de serviços. 

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“A operação online, via whatsapp e o delivery estão longe de salvar as franquias, mas certamente ajudaram a recompor parte do faturamento. Até antes da pandemia, o e-commerce representava entre 2% e 5% das receitas. Agora, em muitos negócios, as vendas online mais do que dobraram de faturamento, subindo para entre 8% e 10%. É muita coisa, mas isso ainda não salva a rede”, explica Friedheim. 

Uma das soluções disponíveis para franquiados é o chamado repasse quando o empresário devolve o negócio para o franqueador ou encontra um novo dono para o empreendimento. O volume de repasses também cresceu desde o início da pandemia, chegando a 160 lojas em maio, mais um episódio inédito num espaço tão curto de tempo. A ABF prevê que este número continue crescendo até o final do ano. 

O setor de franquias conta com mais de 160 mil unidades no Brasil, com cerca de 2800 marcas e faturamento anual de R$ 186 bilhões. Até 2019, estavam sendo abertas até 25 lojas por dia em todo país, gerando entre 8 e 10 empregos diretos, em média, por unidade. Atualmente, as franquias empregam 1,3 milhão de pessoas. O crescimento esperado para 2020 era de 8% de alta no faturamento, bem acima dos 2,5% esperados para o PIB antes da pandemia. 

“O setor de franquias tem uma vantagem que é a força da marca por trás de cada loja. Passado o pior da crise, nós temos uma expectativa positiva de que muitos brasileiros vão procurar uma franquia para investir e ter um novo negócio, uma nova fonte de renda. É por isso que, apesar das perdas de agora, ainda temos números menos piores na comparação com outros setores. Com os juros a 2,25%, investir em uma franquia pode ser mais vantajoso do que deixar o dinheiro num fundo de investimento”, diz o presidente da ABF.

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