Fundos imobiliários sofrem com pandemia, mas há boas opções para 2021; confira

Analistas entendem que as condições continuam boas para o mercado, apesar da curva de juros estar pressionada e a inflação dar sinais de que pode aumentar

Matheus Prado,

do CNN Brasil Business, em São Paulo

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Foto: Hoa Thun Ho/Unsplash

Os fundos imobiliários, em sua vasta maioria, não têm tido uma vida muito fácil nos últimos meses. Quando, no início de 2020, a coisa parecia engrenar, veio a pandemia e prendeu as pessoas em casa.

Entre os produtos mais afetados pela crise estão os de shoppings centers e de lajes corporativas. E não é muito difícil entender o porquê. Foram diretamente prejudicados pelas medidas de isolamento social, que fizeram com que grande parte da população ficasse em casa durante boa parte do ano.

Para entender o tamanho do impacto, basta olhar a composição do Índice de Fundos de Investimentos Imobiliários (IFIX): estes dois setores correspondem, juntos, a 50% do peso do índice, sendo 35% do setor empresarial e outros 15% dos centros de compras. 

Com isso, o índice fechou 2020 com mais de 10% de desvalorização e está lateralizado em 2021, sem o fôlego visto na bolsa de valores. Analistas apontam, nessa linha, que é preciso olhar para o longo prazo.

“O início da pandemia deixou um clima de barata-voa no mercado de FIIs, com os investidores só olhando os riscos”, diz Sandra Blanco, estrategista-chefe da Órama Investimentos. “Apesar disso, os fundos conseguiram entregar bons resultados, o que pode trazer o dinheiro de volta em 2021.”

A gestora também entende que as condições continuam boas para o mercado imobiliário, apesar da curva de juros estar pressionada no longo prazo e a inflação dar sinais de que pode avançar.

“Na nossa visão, essa inflação é temporária. Em relação aos juros, se tivéssemos conseguido aproveitar a Selic a 2% sem nenhum tipo de crise, seria o melhor dos dois mundos. Mas se o ‘guidance’ mudar e a taxa subir para 3% ou 3,5%, vai continuar sendo um ótimo ambiente para investir.”

Sandra lembra, por fim, que o mercado de fundos imobiliários no Brasil ainda é pequeno e as necessidades logísticas e de infraestrutura não param de crescer, por isso seguirá existindo demanda no setor.

Pensando nisso, o CNN Brasil Business ouviu especialistas e elencou algumas opções de fundos imobiliários para ficar de olho em 2021. Confira abaixo.

VISC11

Fundo de tijolo focado em shoppings e com gestão ativa. Possui 15 imóveis espalhados por 10 estados, o que lhe dá certa flexibilidade dentro de um setor que ainda busca se recuperar da crise. 

“Sofreu muito em 2020, mas é um fundo com recursos bem posicionados e histórico de entrega de resultados no passado”, diz João Freitas, analista da Toro Investimentos. “É uma boa opção para a carteira, que deve voltar a performar quando ocorrer a reabertura da economia.”

HGRE11 

Fundo de tijolo focado em lajes corporativas e com gestão ativa. Está presente em 4 estados, com maior prevalência na capital de São Paulo. Possui imóveis em áreas nobres da cidade, como Berrini, Paulista e Faria Lima, e o prédio da TOTVS em Santana, na zona Norte.

“O mercado de lajes está sofrendo agora, mas acreditamos que vai se recuperar. Não vemos o home office como algo definitivo para todos, e sim em algum tipo de rodízio”, diz Sandra, da Órama. “Além disso, são papéis que estão sendo negociados abaixo do seu valor patrimonial.”

HGPO11

Mais um fundo de lajes corporativas, este de gestão passiva. “Tem dois imóveis de excelente qualidade na Faria Lima, com vacância baixa. Trata-se de uma opção mais estável, uma vez que não negocia ativos e foca na manutenção dos imóveis que já fazem parte do fundo”, diz Freitas, da Toro.

BTLG11

Segmento que mostra mais potencial de crescimento num futuro próximo. Isso está diretamente atrelado ao avanço do e-commerce, que amplia a necessidade logística de grandes varejistas em todo o país, abrindo uma janela de oportunidade. Tem mais de 80% dos seus galpões logísticos em São Paulo, boa parte deles ocupados por empresas do ramo alimentício.

HGLG11

No mesmo setor, tem 17 ativos em cinco estados, com empresas como Gerdau e Lojas Americanas no portfólio. “O fundo tem histórico de alocação de recursos muito bom, e o setor de logística tem tudo para ficar cada vez mais relevante no Brasil”, aponta Freitas.

DEVA11

Fundo de papel focado em recebíveis imobiliários (ou títulos de dívidas atrelados ao setor), área que mais rendeu graças ao IGP-M nas alturas. “O IGP-M pode até perder força este ano, mas CRIs funcionam por fluxo de pagamento e dívida, não tem como negociar isso. Por isso, achamos que continua tendo upside”, diz Sandra. O BCRI11 vai na mesma linha.

JSRE11

Fundo híbrido, com imóveis em São Paulo e no Rio, e investimentos pulverizados em outras modalidades. “Mudou um pouco a política e passou a investir diretamente em imóveis, mas é híbrido. A gestão do Safra tem bastante liberdade, pode investir em cotas de outros fundos, recebíveis também”, diz Freitas.

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