IBGE projeta nova safra recorde no campo para 2022

Produção de cereais, leguminosas e oleaginosas deve alcançar 277,1 milhões de toneladas

Stéfano Sallesda CNN

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Depois de um ano de queda na produção do campo, 2022 deve ser um ano de recuperação, com direito a safra recorde. É o que projeta o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Em estudou divulgado nesta terça-feira (11), o órgão federal prevê colheitas de 277,1 milhões de toneladas ao longo dos 12 meses. Esse total representa um aumento de 9,4% em relação ao que foi produzido em 2021.

O aumento previsto é embasado por revisão das projeções do crescimento do cultivo de soja, que deve subir 2,5%, o equivalente a 3,3 milhões de toneladas. No total, seria, 138,3 milhões de toneladas, o que seria um recorde também para a safra do produto.

A commodity representaria ainda mais da metade do total de cereais, leguminosas e oleaginosas previstas para 2022.

Parte do aumento esperado se deve ainda à antecipação da semeadura na maior parte das regiões produtoras, diferentemente do que aconteceu no ano passado. A soja é o produto com maior participação nas exportações feitas pelo Brasil, maior produtor mundial da commodity.

Também é esperado o aumento de 21,2 milhões de toneladas na produção de milho, do qual o Brasil é o terceiro maior produtor mundial, atrás dos EUA e da China. As variações esperadas são de 1,4% na primeira safra e 7,2% na segunda.

Embora os números divulgados pelo IBGE sejam positivos, eles representam uma variação negativa em relação à projeção anterior. A queda estimada é de 0,3% relação ao estudo anterior. Para Marcos Fava Neves, professor da USP e da FGV, destaca os motivos para a revisão dos números.

“Ocorrem por causa da seca no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, no Paraná e no Mato Grosso do Sul. Esses estados foram impactados por um clima muito ruim, que levou à derrubada de estimativas de grãos.

Isso acontece já em um momento muito ruim, agora. Os investimentos foram feitos e a produção não vai aparecer, mesmo com um custo elevado de produção”, afirma o economista.

Fava Neves destaca ainda outro impacto indireto da redução das projeções. “Essa produção é importante para carnes, leites e ovos, porque ajudam a controlar os preços das rações. Então, no curto prazo, para esse mês, o resultado não será bom mas, para o ano, vamos aumentar bastante a produção. Tudo porque, fora dessas regiões, nas grandes áreas produtoras, o clima será muito bom”, conclui.

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