Indústria de base dá sustentação para o crescimento da economia brasileira

Expectativa de crescimento aparente de aço é de 15% em 2021, segundo Instituto Aço Brasil

Karla Chaves, Tiê Santoro e Diego Mendes, da CNN Brasil

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Assim como em uma linha de montagem, a produção da indústria é toda interligada. Para que um prédio seja construído, é necessário que siderúrgicas, empresas de cimento, fábricas de revestimento, entre outras tantas, estejam em funcionamento. Mas não só. Tem de haver demanda, ou seja, interesse por parte dos consumidores. 

“A demanda reprimida das crises trouxe um volume de vendas maior”, afirma Milton Bigucci Junior, diretor da construtora MBigucci, que tem seis obras em andamento. No mês passado, a companhia lançou um projeto e, logo nos primeiros dias, conseguiu vender 60% dos apartamentos. A previsão é de ainda neste ano lançar outros nove projetos.

Não é apenas a MBigucci que viu esse aumento da demanda. A construção civil cresceu 2,1% no primeiro trimestre, em relação aos últimos três meses de 2020. Mas, quando a comparação é com o período pré-pandemia, o resultado ainda é negativo.

“A construção está na origem de todo o tipo de retomada e de aceleração econômica. Nós temos um fator extremamente importante que é o nível de empregabilidade que a gente tem dentro da construção civil”, comenta Romeu Martinelli, gerente-geral da Fábrica Sika.

Na multinacional que fabrica materiais para construção, a produção chegou a cair 33% em abril de 2020. No segundo semestre, a direção mudou. O desempenho foi melhor e até surpreendeu. Entre janeiro e março de 2021, o crescimento do negócio alcançou 30%, na comparação com mesmo período do ano passado.

“Um fator um tanto quanto atípico que contribuiu potencialmente pra essa retomada foi o fato de muitas pessoas estarem trabalhando de home office. Então eles começaram a perceber a necessidade de pequenas reformas, e isso com certeza ajudou muito na retomada do setor no nosso caso”, diz Martinelli.

Emerson Marçal, professor da Escola de Economia de São Paulo da FGV, destaca que as pequenas reformas foram impulsionadas pela taxa de juros mais baixa. “É o momento que a taxa de juros está baixa, então, as pessoas estão conseguindo financiamentos para comprar bens de maior valor agregado”, afirma.

Indústria de base

Quanto mais obra mais demanda por itens como cimento e vigas de aço. “A indústria do aço no Brasil tem atuado fortemente no sentido de prover condições para o crescimento econômico. Através do Instituto Aço Brasil, nós temos uma expectativa para este ano de um crescimento aparente de aço em um patamar de 15%, e a indústria do aço está focada no abastecimento do mercado interno”, afirma Sergio Leite, presidente da Usiminas. 

Em maio, a produção brasileira de aço bruto atingiu 3,1 milhões de toneladas, a maior desde outubro de 2018. 

“O efeito positivo do câmbio para as nossas exportações e o aquecimento da construção civil fomentaram o crescimento do setor”, afirma Igor Rocha, diretor de economia da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB).

industria siderúrgica
Foto: Fabian Bimmer/Reuters

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