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    Ipea: exportações do agronegócio saltam 20,9% no 1º semestre na comparação anual

    A soja segue com destaque como o principal produto de exportação do agronegócio brasileiro, segundo o Ipea

    Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

    Por Denise Luna, do Estadão Conteúdo

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    As exportações do agronegócio no primeiro semestre do ano saltaram 20,9% relação ao mesmo período do ano passado, de US$ 50,9 bilhões para US$ 61,5 bilhões, informou o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) nesta sexta-feira (23).

    A soja segue com destaque como o principal produto de exportação do agronegócio brasileiro, segundo o Ipea, com alta de 25,3% no valor de janeiro a junho, apesar da queda de 2,2% em quantidade.

    A China continua sendo o principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, com 39% das exportações em valor, seguida pela União Europeia (14,5%) e Estados Unidos (6,4%), no primeiro semestre deste ano. Juntos, representam quase 60% do total exportado pelo Brasil.

    Na comparação com o mesmo período de 2020, a China aumentou as importações em 20,1%, assim como a União Europeia (16,5%) e os Estados Unidos (30,2%).

    “Os exportadores brasileiros começaram a sentir, em junho, a recuperação parcial dos preços médios das exportações da maior parte dos produtos do agronegócio, com destaque para a carne bovina, a soja e o milho”, avaliou a pesquisadora associada do Ipea e uma das autoras do estudo, Ana Cecília Kreter.

    O Ipea destaca, porém, que o preço médio recebido em junho, entre as commodities analisadas, ainda se encontra abaixo das máximas históricas, registradas no início da década passada. Segundo o instituto, os preços médios de quase todas as commodities agrícolas tiveram queda nos dois últimos anos. Entretanto, houve forte recuperação nos preços no mercado internacional, a partir do segundo semestre de 2020.

    “A partir do segundo trimestre deste ano, as remunerações em dólar das exportações brasileiras começaram a refletir parte da escalada desta alta dos preços, culminando, em junho, com máximas recentes na maioria dos principais produtos exportados”, informou o Ipea.

    O aumento da demanda mundial por soja e milho vem contribuindo para o crescimento da produção a cada safra, principalmente no Brasil. O que se observa, no entanto, ressalta o Ipea, é que os estoques de soja e milho estão cada vez mais baixos. “E boa parte desses estoques se encontra em território chinês”, explica Ana Kreter.

    Apesar disso, dos dois grãos analisados, a soja é o único na China que os estoques e a produção não atendem à demanda doméstica, o que sinaliza uma boa perspectiva para o produtor rural brasileiro que começa a planejar a safra 2021/2022.

    O crescimento de vendas das carnes (bovina, suína e de frango), que avançou 25,3% em valor e 17,3% na quantidade no primeiro semestre de 2021 frente 2020, foi impulsionado pela carne suína.

    No país, apesar do plantio tardio da soja, decorrente do atraso na janela climática ideal, a maior parte da safra já foi colhida. Mesmo assim, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam a possibilidade de um novo recorde de produção nacional na safra 2020/2021 – crescimento de 9,65% e 8,9%, respectivamente – que deverá manter o Brasil como maior produtor e exportador mundial de soja. Brasil, Estados Unidos e Argentina representam, juntos, 90,5% das exportações mundiais do grão.

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