Conheça o time de startups do Magalu e como a varejista pretende ir ao ataque

Em 2020 e 2021, Magalu adquiriu 17 startups — enquanto você pisca, mais uma pode ser adquirida

Foto: Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket/Getty Images

Tamires Vitorio, do CNN Brasil Business, em São Paulo

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Assim como no futebol, quando um time contrata os melhores jogadores para cada posição, o Magazine Luiza está adquirindo empresas de diversos segmentos para se tornar um conglomerado ainda maior e oferecer uma enorme gama de produtos e serviços.

Só nos últimos três dias foram duas aquisições: a empresa de tecnologia SmartHint e, nesta quarta-feira (14), o site Jovem Nerd, que fala de livros e quadrinhos e tem como foco a cultura geek. Elas se juntam à seleção de 2021, que conta com o site Steal The Look, focado em moda e estilo, VipCommerce, ToNoLucro e GrandChef.  

A busca por startups, no entanto, não começou neste ano. Em 2020, foram compradas 11 empresas: Estante Virtual, Hubsales, Canal Tech, Stoq, Betta, GFL, Sinclog, InLoco Media, AiQFome, ComSchool e Hub Fintech. 

Para se ter ideia de valores, o Magalu desembolsou R$ 290 milhões pela Hub Fintech, enquanto a Estante Virtual custou R$ 31 milhões. Nesta quarta-feira, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) também aprovou de vez (e sem restrições) a compra da Hub, cujo negócio foi aprovado em dezembro do ano passado. 

A Copa do Magalu 

Mas qual é o objetivo do Magalu?  Segundo Eduardo Benjamin Galanternick, vice-presidente de Negócios, o Magazine Luiza se transformou em um ecossistema com startups de várias áreas.

“Temos várias comunidades envolvidas e várias frentes, e, para cada delas, temos necessidades de negócios. Aí precisamos decididir se construímos dentro de casa ou se encontramos parceiros que se alinham com a gente”, explica o executivo, em uma conversa com jornalistas nesta quarta.

Assim como na Copa do Mundo, a estratégia do Magalu tem sido escolher os melhores jogadores para formar uma equipe que possa conquistar o título de campeão. 

Jovem Nerd

Jovem Nerd
Magalu adquire Jovem Nerd
Foto: Jovem Nerd/Divulgação

O Jovem Nerd foi criado em 2002 por Deive Pazos e Alexandre Ottoni com o objetivo de ser um site para falar sobre entretenimento, ficção científica, quadrinhos e tudo que envolve a cultura geek. Quase 20 anos depois, a marca (que deixou de ser somente um site há algum tempo) foi adquirida pelo Magalu em mais uma prova do apetite feroz da varejista. 

“Temos presença em muitas verticais. Vimos, em 19 anos, muitos sites minguarem porque ficaram em apenas uma vertical. Quando começamos fazíamos um blog em telenovela”, conta Ottoni. “Hoje temos muitos tentáculos, e é muito importante ser diversificado”, continua.

Para Pazos, a definição de nerd é “alguém que é curioso”. “Esse público está cada vez maior. E isso fica provado todos os dias nas redes sociais com as séries de heróis que vão bem nas plataformas de streaming”, explica. “O que nos deixa feliz é saber que estaremos no superapp do Magalu, à disposição de várias pessoas.”

Em uma conversa realizada com jornalistas nesta quarta-feira, os sócios do Jovem Nerd afirmaram que “a independência editorial do site, dos podcasts e dos vídeos será mantida apesar da aquisição”, mas propagandas do Magalu serão feitas dentro das plataformas do site, além da possibilidade da realização de conteúdos especiais, como podcasts para vendedores. 

SmartHint

SmartHint
Schiavani, do SmartHint
Foto: SmartHint/Divulgação

O que fez uma gigante como a Magazine Luiza se interessar por uma empresa com apenas 37 funcionários? A resposta parece bastante simples: a tecnologia. Foi exatamente por isso que a companhia decidiu adquirir a SmartHint, que tem como foco facilitar a busca do produto dentro de um site de varejo para o consumidor final. 

A empresa, fundada no começo de 2017, surgiu com “o propósito de melhorar a experiência de consumo dentro de lojas virtuais”, conta Rodrigo Schiavini, CEO da empresa. “Nós trabalhamos de duas formas — e sem você notar. Uma é mostrando itens parecidos com o que você comprou, personalizando o seu atendimento, e a outra é através do campo de busca. Nossa empresa já proporciona uma tecnologia de busca fonética, que, mesmo com a grafia errada, te ajuda a encontrar o produto que você quer”, diz.

Sem abrir números de faturamento ou lucro, Schiavini afirma que, somente em 2020, o crescimento da SmartHint foi de 86% — o suficiente para fazer os olhos do Magalu brilharem. 

O contrato com a companhia comandada por Frederico Trajano não prevê exclusividade, e os outros 1.100 clientes da SmartHint podem respirar aliviados — continuarão a ser atendidos normalmente. Para Schiavini, isso significa que “o Magalu está firmando a sua responsabilidade em fortalecer o varejo brasileiro”. 

“A nossa capacidade de atrair e agregar no cenário como todo a potencialização da tecnologia para a digitalização do varejo foi um dos principais atrativos da proposta. A gente vem para somar”, diz.

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