Leilão contrata 29 novas usinas de energia limpa, com investimento de R$ 7 bi

Contrato determina que novos projetos entrem em operação até janeiro de 2026; hidrelétricas são maioria

Usina de Marimbondo: empresas compraram energia de 18 usinas hidrelétricas de menor porte, de cinco usinas de geração solar fotovoltaica, quatro parques eólicos e duas térmicas movidas a biomassa
Usina de Marimbondo: empresas compraram energia de 18 usinas hidrelétricas de menor porte, de cinco usinas de geração solar fotovoltaica, quatro parques eólicos e duas térmicas movidas a biomassa Divulgação/Eletrobras

Stéfano Sallesda CNN

Rio de Janeiro

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O leilão de energia nova A-4, realizado nesta sexta-feira (27), para atender a demanda de distribuidoras do mercado regulado, contratou 947,9 megawatts médios (MW) de 29 usinas, todas com produção proveniente de fontes renováveis.

Juntas, elas vão adicionar uma potência total de 948 MW de potência no Sistema Interligado Nacional (SIN). O deságio médio foi de 9,36% em relação ao preço inicial.

O pregão, promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) durou pouco mais de uma hora e atraiu o interesse de apenas três distribuidoras: Cemig (MG), Coelba (BA) e Light (RJ).

As empresas compraram energia de 18 usinas hidrelétricas de menor porte, de cinco usinas de geração solar fotovoltaica, quatro parques eólicos e duas térmicas movidas a biomassa.

Foi a primeira vez que as fontes solar e eólica competiram simultaneamente em um leilão. Secretário de Planejamento e Desenvolvimento Estratégico do Ministério de Minas e Energia, Paulo César Domingues destacou que, embora o deságio tenha sido menor do que o padrão encontrado em leilões anteriores, o resultado foi positivo por conta da conjuntura internacional.

“Já era uma intenção fazer com que as fontes (eólica e solar) tenham competição entre si e percebíamos uma aproximação de preços entre as duas. O resultado mostra uma distribuição equilibrada. A Guerra na Ucrânia tem demandado muito essas duas fontes, todos os países tem contratado muito. Assim, esperávamos até um deságio menor”, afirma.

Diretor de Estudos de Energia Elétrica da Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE), Erik Eduardo Rego entende que o deságio, embora menor, não foi atrapalha o processo.

“Não é fator de preocupação. O preço só preocupa se for uma barreira, e não foi uma barreira. Não me prendo muito ao deságio, o que importa é o resultado final, e o resultado final não seria diferente”, avalia o diretor do órgão federal.

Segundo projeções da Aneel, o deságio alcançado vai gerar economia de cerca de R$ 1 bilhão e evitar um aumento tarifário da ordem de 0,5 ponto percentual.

Os investimentos estão distribuídos por sete estados: Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Tocantins.

Os projetos vencedores, todos novos, precisam iniciar a oferta de energia em 1º de janeiro de 2026.

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