Com receio fiscal ainda em pauta, Ibovespa fecha abaixo dos 100 mil; dólar sobe

A semana promete ser movimentada em Brasília, com impactos diretos na economia e no mercado financeiro

O ministro Paulo Guedes, e os presidentes do Senado e da Câmara, Davi Alcolumbre e Rodrigo Maia
O ministro Paulo Guedes, e os presidentes do Senado e da Câmara, Davi Alcolumbre e Rodrigo Maia Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

Do CNN Brasil Business, em São Paulo*

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O início de uma semana movimentada em Brasília foi de perdas significativas para o Ibovespa e para o real. Os investidores ficaram de olho no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), que prevê que em 2021 o salário mínimo seja de R$ 1.067, sem ganho real.

Após calcular uma queda de quase 100 bilhões de reais nas receitas em 2021, a equipe econômica aumentou o rombo primário previsto para o governo central a R$ 233,6 bilhões em seu projeto de Lei Orçamentária Anual do ano que vem, encaminhado nesta segunda-feira ao Congresso.

O secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues disse que foram consideradas receitas conservadoras para dividendos, privatizações e outorgas no PLOA, e que todas elas podem surpreender positivamente no ano que vem.

Além do orçamento de 2021, o mercado conheceu nova previsão do Boletim Focus. Os economistas do mercado financeiro melhoraram mais uma vez a revisão para o tombo do Produto Interno Bruto (PIB) de 2020. A estimativa passou de queda de 5,46% para redução de 5,28%.

Esta foi a nona semana consecutiva de melhora da projeção. No fim de junho, a projeção de queda alcançou o pico de 6,54%. Além da revisão do PIB, o mercado também passou a esperar a Selic a 2,88% ao ano, ante 3% na publicação anterior. 

Com tudo isso no radar, o Ibovespa caiu 2,72% e fechou o mês de agosto aos 99.369,12 pontos. Além da agenda econômica, o resultado de hoje também pode ser explicado por um movimento comum de ajustes ao fim de cada mês.

Assim, o principal índice acionário brasleiro teve sua primeira queda mensal desde março. O Ibovespa fecha agosto com desvalorização de 3,4% em relaçao ao fechamento de 31 de julho, quando acumulava 102.912,24 pontos. 

Investidores agora aguardam a definição do valor do auxílio emergencial, prevista no mercado para terça-feira. Segundo o estrategista Renato Chanes, da Santander Corretora, a falta de definição sobre a fonte de financiamento do Renda Brasil, que substituirá o Bolsa Família, vem gerando dúvidas no mercado sobre o orçamento e o compromisso com o teto de gastos em 2021.

Também será anunciado, na terça-feira (1º), o resultado do PIB no segundo trimestre. É esperada uma contração recorde da economia nacional, podendo alcançar a marca de dois dígitos.

Neste compasso de espera, o dólar subiu em relação ao real nos primeiros negócios da semana. A moeda americana avançou 1,2%, a R$ 5,4807.

A sessão foi de ajustes, já que na última sessão, de sexta-feira, o dólar à vista registrou perda de 2,93%, a R$ 5,4156 na venda, sua maior desvalorização diária desde 2 de junho.

Lá fora

O índice norte-americano S&P 500 teve nova máximas recordes nesta segunda-feira durante o pregão, mas fechou em leve queda com apostas em uma recuperação econômica impulsionada pelo estímulo prolongado do Federal Reserve deixando a referência do mercado de ações dos EUA.

O S&P 500 fechou em queda de 0,22%. O Nasdaq subiu 0,93%, impulsionado por Tesla e Apple, que tiveram suas ações fracionadas hoje, o que atraiu investidores. O Dow Jones, por outro lado, caiu 0,78%.

As ações europeias terminaram esta segunda-feira em baixa, pressionadas pelo setor financeiro depois de dados de inflação decepcionantes da Alemanha e da Itália, mas fecharam agosto em alta graças ao otimismo sobre novas medidas de estímulo e uma vacina para a Covid-19 .

O índice FTSEurofirst 300 caiu 0,72%, a 1.420 pontos, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 perdeu 0,62%, a 367 pontos, em linha com as perdas de Wall Street no horário de fechamento na Europa.

Os índices acionários da China devolveram ganhos e fecharam em baixa nesta segunda-feira, pressionados por empresas dos setores financeiro e de saúde, depois que investidores realizaram lucros conforme os principais índices se aproximam de importantes níveis de resistência.

O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, caiu 0,58% depois de atingir durante o dia máxima de mais de cinco anos. O índice de Xangai teve perdas de 0,24%, sendo negociado pouco abaixo do nível mais alto em dois anos e meio atingido em meados de julho.

*Com informações da Reuters

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