Temor fiscal ofusca exterior positivo e Ibovespa fecha em leve alta; dólar cai

S&P 500 e o Dow Jones atingiram máximas recordes nesta quinta-feira com investidores apostando em uma recuperação rápida da economia dos EUA

Foto: CNN

Matheus Prado e Leonardo Guimarães,

do CNN Brasil Business, em São Paulo*

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O dólar à vista cedeu 0,75% ante o real nesta quinta-feira (15), a R$ 5,6276 na venda em um dia de fraqueza da moeda norte-americana no exterior. 

Na B3, o Ibovespa fechou o pregão no azul, mas o resultado poderia ter sido melhor, já que os índices de Wall Street tiveram ganhos expressivos. Por aqui, porém, falou mais alto a preocupação fiscal e o índice avançou 0,34%, para 120.700 pontos. 

Destaque para as ações da Hering (HGTX3), que dispararam 28,13% depois que a empresa catarinense rejeitou a proposta de compra da Arezzo. 

Os investidores dos EUA estão muito otimistas no começo da temporada de balanços e com o presidente do Fed, Jerome Powell, a acalmando o mercado ao dizer que não enxerga um aumento na taxa de juros antes de 2022. 

Por isso divisas de risco, como o real, ganharam terreno ante o dólar.

O mercado interno, porém, segue se guiando por Brasília, mais precisamente com a novela do Orçamento e a CPI da Covid-19.

Analistas e o próprio presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, reconhecem o peso da preocupação fiscal nos preços do dólar, que nos atuais patamares faz do real a moeda mais barata no mundo, segundo o Deutsche Bank.

“No curto prazo, o principal risco a ser monitorado são as despesas fora do teto de gastos em medidas para a Covid-19”, disseram em nota Mansueto Almeida e Fabio Serrano, do BTG Pactual.

“A médio prazo, um ponto central em nossas simulações é o cumprimento do teto de gastos. Os eventos recentes mostraram explicitamente a existência de pressões políticas para encontrar formas de contornar o instrumento, o que pode piorar rapidamente a trajetória do ajuste fiscal.”

Hoje, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, admitiu que, apesar do formato em ‘V’, a recuperação econômica do Brasil perdeu força no final do movimento. A avaliação é diferente da visão do ministro da Economia, Paulo Guedes, que tem repetido que a recuperação em V continua e continuará forte. 

“Tivemos um formato muito parecido com V, mas, obviamente, é um V que, no final da recuperação, atenuou”, disse, em evento virtual promovido pela ABFintechs. 

Lá fora

O índice Dow Jones fechou pela primeira vez acima dos 34 mil pontos nesta quinta-feira, com o S&P 500 também cravando nova máxima de fechamento, em meio a um rali das ações de tecnologia, desencadeado pela queda nos rendimentos de títulos e pelos fortes dados de vendas no varejo dos Estados Unidos em março.

Esta foi a segunda vez nesta semana em que o S&P 500 renovou uma máxima de fechamento, enquanto o Dow eclipsou um recorde de 9 de abril.

o Dow Jones fechou em alta de 0,9%, a 34.035 pontos. O S&P 500 subiu 1,11%, para 4.170 pontos, e o Nasdaq avançou 1,31%, a 14.038 pontos.

As bolsas asiáticas fecharam sem direção única nesta quinta-feira (15), separadas entre a perspectiva de recuperação econômica, após o choque da pandemia do novo coronavírus, e a possibilidade de que a retomada leve à retirada de estímulos monetários e fiscais, em especial na China.

O índice acionário japonês Nikkei teve alta marginal de 0,07% em Tóquio hoje, a 29.642,69 pontos, sustentado por ações dos setores petrolífero e financeiro, enquanto o sul-coreano Kospi avançou 0,38% em Seul, a 3.194,33 pontos, graças principalmente a papéis de eletrônicos e internet, e o Taiex registrou ganho de 1,25% em Taiwan, a 17.076,73 pontos.

No fim da noite de ontem (pelo horário de Brasília), o BC da Coreia do Sul deixou seu juro básico inalterado na mínima histórica de 0,50% e prometeu manter a postura acomodatícia para apoiar o crescimento.

Já na China continental, o Xangai Composto caiu 0,52% nesta quinta, a 3.398,99 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto recuou 0,54%, a 2.206,55 pontos. E em Hong Kong, o Hang Seng teve baixa de 0,37%, a 28.793,14 pontos.

Os últimos indicadores chineses de inflação e comércio exterior mostraram que a segunda maior economia do mundo se mantém em plena recuperação, alimentando temores de que Pequim poderá reverter incentivos monetários e fiscais adotados em reação à pandemia.

Na próxima madrugada, a China irá divulgar números do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, assim como dados de produção industrial e vendas no varejo de março.

Por outro lado, a perspectiva de recuperação da economia global, ancorada por China e EUA, abre espaço para apetite por risco em partes da Ásia.

Na Oceania, a bolsa australiana ficou no azul, após dados mostrarem que a taxa de desemprego do país caiu de 5,8% em fevereiro para 5,6% em março. O S&P/ASX 200 avançou 0,51% em Sydney, a 7.058,60 pontos, renovando máxima em 14 meses.

*Com informações de Reuters e Estadão Conteúdo

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