Ibovespa firma novo recorde de fechamento com alta da Petrobras; dólar recua

Ações da Petrobras tiveram forte alta depois que o JPMorgan reforçou recomendação de compra para os papéis

Foto: CNN

Matheus Prado e Leonardo Guimarães,

do CNN Brasil Business, em São Paulo*

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Com queda de 0,77%, para R$ 5,2148, o dólar emendou a terceira queda nesta sexta-feira (27) e fechou no menor patamar desde janeiro frente ao real, com os mercados ainda embalados por um maior otimismo visto recentemente com a economia brasileira, enquanto a fraqueza da moeda norte-americana no exterior e novo dia positivo nas praças acionárias deram respaldo às compras de ativos domésticos

Na B3, o dia foi de recorde. O Ibovespa fechou aos 125.561,37 pontos – alta de 0,96% – e alcançou a maior pontuação de fechamento de sua história. O recorde anterior era de 125.076 pontos, alcançado no dia 8 de janeiro,

A alta de 5,66% das ações ordinárias da Petrobras (PETR3) e de 4,05% das preferenciais (PETR4) deram impulso ao fechamento recorde. Analistas do banco JPMorgan elevaram os papéis da companhia para ‘overweight’, estabelecendo preço-alvo das ações a R$ 35,5 para o final de 2021.

As ações da Weg (WEGE3) também contribuíram para o bom desempenho do índice, com alta de 4,75%.

Outras ações de peso subiram e reforçaram o sina positivo da Bolsa. Vale (VALE3) avançou 0,54%, Itaú (ITUB4) subiu 1,65%, Bradesco (BBDC4) teve valorização de 0,23% e Magazine Luiza (MGLU3) avançou 3,37%.

No mercado interno, o prato do dia foi, também, a inflação. O governo se mostrou preocupado com a possibilidade de escassez de energia no país e declarou que o momento pode afetar os preços e atrapalhar a recuperação econômica.

Nessa linha, o IGP-M (Índice Geral de Preços-Mercado) subiu 4,1% em maio, segundo dados divulgados pela FGV (Fundação Getulio Vargas). Com o resultado, o índice, que é conhecido como inflação do aluguel, avançou 37,04% em 12 meses e registrou a maior alta em 26 anos. 

Globalmente, o mercado também digeria dados de inflação nos EUA. Os preços ao consumidor, medidos pelo índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE), excluindo os componentes voláteis de alimentos e energia, aumentaram 0,7% em abril, após ganhar 0,4% em março. No acumulado de 12 meses até abril, o chamado índice de preços núcleo PCE saltou 3,1%. Isso se seguiu a um ganho anual de 1,9% em março.

Dados publicados na quinta-feira (27) confirmaram que os EUA cresceram em ritmo anualizado de 6,4% no primeiro trimestre e mostraram também que o número de pedidos de auxílio-desemprego no país caiu mais do que o esperado na semana passada.

Os indicadores reforçaram a visão de que a maior economia do mundo continua se recuperando com vigor dos choques da pandemia, ainda que exiba fraqueza em áreas específicas.

Lá fora

Os mercados acionários dos Estados Unidos subiram nesta sexta-feira, com os investidores dando de ombros para dados que mostraram uma inflação mais forte do que o esperado, e os índices Dow Jones e S&P 500 tiveram seu primeiro ganho semanal das últimas três semanas.

O Dow Jones subiu 0,19%, para 34.529 pontos, o S&P 500 ganhou 0,08%, a 4.204 pontos, e o Nasdaq valorizou-se 0,09%, a 13.748 pontos.

As ações europeias atingiram uma máxima recorde nesta sexta-feira, com empresas financeiras expostas ao Reino Unido em alta após um comentário “hawkish” (inclinado a aumento de juros) de uma autoridade do banco central inglês. A perspectiva de aumento nos gastos fiscais dos Estados Unidos também impulsionou o sentimento do mercado.

O índice FTSEurofirst 300 subiu 0,55%, a 1.728 pontos, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 ganhou 0,57%, a 449 pontos, acumulando ganho de 1% na semana.

As ações de bancos avançaram 0,6%, para uma máxima em 15 meses, acompanhando uma alta nos rendimentos dos títulos da zona do euro. Credores britânicos, incluindo o HSBC, lideraram os ganhos depois que uma autoridade do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) sugeriu aumento antes do sinalizado na taxa de empréstimo do Reino Unido.

Na Ásia, as bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em alta após sinais de que os EUA continuam se recuperando dos efeitos da pandemia de Covid-19 e estão dispostos a gastar fortemente para manter o ímpeto da retomada.

O índice acionário japonês Nikkei liderou os ganhos na região hoje, com um salto de 2,10% em Tóquio, a 29.149,41 pontos, enquanto o sul-coreano Kospi avançou 0,73% em Seul, a 3.188,73 pontos, o Hang Seng teve alta marginal de 0,04% em Hong Kong, a 29.124,41 pontos, e o Taiex se valorizou 1,62% em Taiwan, a 16.870,86 pontos.

Exceção, os mercados da China continental ficaram no vermelho: o Xangai Composto recuou 0,22%, a 3.600,78 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto perdeu 0,24%, a 2.393,48 pontos. A corretora online Oanda atribuiu o mau humor ao fato de o PBoC ter fixado a taxa de paridade de hoje do yuan ante o dólar no maior nível em dois anos, sugerindo que o banco central chinês “não tem nenhum problema com mais valorização” da moeda local.

Na Oceania, a bolsa australiana terminou o pregão em novo patamar recorde, com ganhos em quase todos os setores. O S&P/ASX 200 avançou 1,19% em Sydney, a 7.179,50 pontos. 

*Com informações de Reuters e Estadão Conteúdo

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