Open Banking dá ao cliente de serviços bancários poder sobre seus dados, diz especialista

Para Thaís Cíntia Cárnio, expectativa com Open Banking é "ver ocorrer a melhor oferta dos produtos bancários"

Tamires Vitoriodo CNN Brasil Business*

em São Paulo

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O Open Banking promete ser o sistema financeiro aberto do Brasil. Com quatro fases (duas que já foram implementadas), a ideia é facilitar o compartilhamento de dados entre clientes e serviços bancários.

Para Thaís Cíntia Cárnio, advogada e professora de Mercado Financeiro da Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie, o sistema aberto “traz ao cliente dos serviços bancários um poder que ele não tinha”. “Até então não sabíamos para onde nossos dados iam e de que forma eles eram compartilhados”, diz. 

“O Open Banking traz uma vantagem bem interessante ao consumidor do serviço bancário, porque ele possibilita uma centralização por parte dos consumidores de seus dados e transações e, a partir dessa centralização, esperamos ver ocorrer a melhor oferta dos produtos bancários, a melhor concorrência, sem que para isso seja necessário o consumidor que procure a instituição, mas o contrário, com base nos dados de seu perfil, nos produtos que ele habitualmente consome”, afirma Cárnio.

O sistema aberto foca na liberação do compartilhamento padronizado de dados e serviços por instituições financeiras reguladas. No Open Banking, o cliente pode autorizar o compartilhamento de seus dados com outras instituições o que, para o Banco Central (BC), “deve aumentar a competitividade entre os bancos e melhorar a oferta de produtos e serviços”.

No começo de 2021, o Presidente do BC, Roberto Campos Neto, afirmou que “o Open Banking estava para o sistema financeiro como a internet está para a sociedade”. “Os benefícios e casos de uso serão visíveis ao longo dos próximos meses e anos”, disse ele.

Ao todo, o sistema aberto terá quatro fases. A primeira foi implementada em fevereiro deste ano e, com ela, os dados das 1.065 instituições participantes passaram a ser compartilhados.

A segunda fase, que se iniciou em 13 de agosto, promete dar aos clientes a possibilidade de autorizar o compartilhamento de seus cadastros e de informações sobre suas transações financeiras relacionadas a contas, cartão de crédito e operações de crédito com outras instituições.

Até o final do ano serão implementadas as outras duas fases do Open Banking.

Em setembro será iniciada a fase três, na qual os consumidores poderão acessar os serviços de pagamento fora do ambiente do banco, podendo solicitar empréstimos fora do app do banco, e compartilhando o histórico de informações financeiras.

Em dezembro, a quarta e última etapa do Open Banking será implementada, ampliando o conceito para o open finance, tornando-se possível compartilhar dados como operações de câmbio, investimentos, seguros e previdência.

E a segurança?

Uma pesquisa da TecBan em parceria com a Ipsos, enviada com exclusividade ao CNN Brasil Business, mostra que 46% dos brasileiros estão preocupados sobre como os dados financeiros serão usados em serviços de open banking. Em 2018, 60% das pessoas tinham essa preocupação.

São cinco as maiores preocupações em relação à privacidade e fraude de dados: 49% se preocupam com crimes financeiros, 46% com o uso dos dados, 43% com dados anônimos, 40% com a proteção deles e 35% com o acesso indevido a eles.

Apesar disso, 40% afirmam que teriam prazer em compartilhar informações financeiras com empresas que não seja o banco com o qual tenham relacionamento.

Para Tiago Aguiar, head de novas plataformas na TecBan, a preocupação com os dados existe, mas o sistema aberto dá uma certa segurança para os usuários. “À medida que as pessoas usarem o serviço, elas vão continuar preocupadas, é claro, mas o benefício vai superar a preocupação”, diz.

Aguiar entende que uma familiaridade maior com as funções do Open Banking aconteceu nos últimos anos  — como plataformas que permitem o acompanhamento da vida financeira em apenas um local. “As pessoas, atualmente, têm mais proximidade com essas ferramentas e 43% gostariam desse tipo de serviço, e estão esperando o surgimento de mais apps para isso”, explica.

O Open Banking, para Aguiar, “está apenas começando” e é “a maior revolução do mercado financeiro desde o Plano Real”. “O gerenciamento de finanças é apenas a ponta do iceberg. Esse sistema trará muitos outros benefícios. A experiência não será mais customizada, mas sim personalizada”, afirma. “As pessoas não saberão exatamente o que é o Open Banking, mas será como fazer o cadastro em um site usando a sua rede social: muitas pessoas não saberão o que está por trás, mas gostarão do benefício”, diz.

Para obter o resultado, a TecBan realizou 1.000 entrevistas entre os dias 4 e 10 de junho deste ano. Do total, 55% eram mulheres e 45% eram homens com idades entre 18 e 59 anos. Do total, 44% possuem conta corrente, 25% conta poupança e 34% possuem ambas.

Produzido por Vinícius Tadeu*, da CNN em São Paulo (supervisionado por Elis Franco)

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