Mercado vê inflação abaixo de 2% e revisa tombo do PIB para 3,76% em 2020

Analistas do mercado financeiro cortaram, mais uma vez, suas estimativas para a inflação oficial, para a taxa básica de juros e para o desempenho do PIB

Sede do Banco Central, em Brasília (16.mai.2017)
Sede do Banco Central, em Brasília (16.mai.2017) Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Anna Russi,

da CNN, em Brasília

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Como reflexo da crise econômica causada pela pandemia da COVID-19 e da crise política no governo do presidente Jair Bolsonaro, os analistas do mercado financeiro cortaram, mais uma vez, suas estimativas para a inflação oficial, para a taxa básica de juros e para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020. De acordo com o relatório semanal Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (4) pelo Banco Central, a previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 2,20% para 1,97%. 

A projeção está abaixo do piso da meta de inflação, que tem o centro definido em 4% este ano, com tolerância de 2,5% a 5,5% neste ano. A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e, para alcançá-la, o BC eleva ou reduz a taxa básica de juros, a Selic. 

Uma inflação muito baixa pode desestimular o consumo da população brasileira. Assim, essa previsão pressiona o Banco Central para a continuidade do movimento de redução da Selic, atualmente já na mínima histórica de 3,75% ao ano. A projeção para a taxa também recuou, de 3% a.a para 2,75% a.a. 

O descumprimento da meta pode piorar a percepção de risco do país, o que traz ainda desconfianças dos investidores no controle da inflação, inibindo investimentos e piorando o desempenho econômico. Quando a meta não é cumprida, o presidente do Banco Central precisa escrever uma carta aberta ao Ministro da Economia, explicando as razões para o descumprimento, as providências a serem e o prazo no qual se espera que os efeitos de tais ações. 

PIB 

A previsão para a contração da atividade econômica passou de 3,34% para 3,76%. É o 12º corte na projeção. Ainda assim, a previsão do mercado segue abaixo das projeções do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, de 5% e 5,3%, respectivamente. Há quatro semanas, a estimativa do Focus era de queda de 1,18%. A maior queda já registrada na história do índice brasileiro foi de 4,35%, em 1990.  

Tanto o Ministério da Economia quanto o Banco Central ainda trabalham com uma previsão oficial de estagnação na economia doméstica, com “crescimento” 0%. No entanto, a equipe econômica já admite que o cenário deste ano será de recessão e trabalha com simulações para outros indicadores macroeconômicos levando em conta uma contração de até 5,34%.

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