Petróleo fecha em forte alta e avança mais de 20% na semana, com foco na Ucrânia

Temores de que a oferta global do óleo fique ainda mais apertada por conta do conflito dominam as mesas de operação de negociadores da commodity energética

Bomba de petróleo na Bacia do Permian em Loving County, Texas, EUA
Bomba de petróleo na Bacia do Permian em Loving County, Texas, EUA 22/11/2019REUTERS/Angus Mordant

Gabriel Caldeira, do Estadão Conteúdo

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O petróleo teve forte avanço nesta sexta-feira (4) repetindo o movimento da maior parte do restante semana. Temores de que a oferta global do óleo fique ainda mais apertada por conta do conflito entre Rússia e Ucrânia dominam as mesas de operação de negociadores da commodity energética.

Com a alta desta sexta-feira, o petróleo acumulou ganho semanal de mais de 20% nos contratos mais líquidos em Nova York e Londres.

Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril do petróleo WTI com entrega prevista para abril subiu 7,44% nesta sexta (US$ 8,01) e 26,30% na semana, a 115,68. Já o do Brent avançou 6,93% na sessão de sexta (US$ 7,65) e 25,49% no acumulado semanal, a US$ 118,11, na Intercontinental Exchange (ICE).

O avanço acumulado desta semana é o maior desde o início de abril de 2020, quando o petróleo teve também seu maior avanço diário da história após a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) sinalizar por cortes na oferta logo após o choque da covid-19.

Após uma segunda rodada de negociações entre representantes russos e ucranianos falhar em atingir um acordo de cessar-fogo na quinta-feira (3), autoridades do Kremlin voltaram a sinalizar que a Rússia não vai retirar suas tropas da Ucrânia tão cedo, ou ao menos até atingir seus objetivos.

Nesta sexta, o Conselho de Segurança das Nações Unidas voltou a se reunir para discutir a crise, em especial o bombardeio de uma usina nuclear na Ucrânia, a maior de toda a Europa.

Além dos ucranianos, EUA, França e Reino Unido criticaram os russos, enquanto chineses se ativeram a pedir pelo fim da guerra. Já a Rússia alegou que o Ocidente divulga mentiras sobre a operação militar na Ucrânia.

O dia foi marcado ainda pela adoção de mais medidas para isolar a economia russa. Entre elas, o Departamento de Comércio dos EUA aplicaram mais controle sobre exportações ao setor de refinamento de petróleo russo.

No setor privado, a S&P Dow Jones Índices anunciou a remoção de ações da Rússia de seus índices em Nova York e reclassficou o país de “emergente” a “standalone”.

Na avaliação da Capital Economics, “o petróleo tem espaço para subir ainda mais caso o Ocidente decida aplicar sanções à produção russa de commodities energéticas”.

Ao mesmo tempo, a aparente falta de preocupação da Opep+ quanto à oferta global, após o cartel seguir com seu plano de acréscimo mensal de 400 mil barris por dia, “adicionou mais chamas” no mercado, diz a consultoria, em relatório.

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