PMI: Desempenho do setor de serviços no Brasil se aproxima de mínima histórica

Perda de empregos aumenta e encomendas também sofrem forte queda, de acordo com relatório do IHS Markit

Cabeleireiro e cliente usam máscaras durante atendimento (4.mai.2020)
Cabeleireiro e cliente usam máscaras durante atendimento (4.mai.2020) Foto: Thilo Schmuelgen/Reuters

Reuters

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No setor de serviços do Brasil, a atividade continuou em forte contração em maio devido à pandemia de Covid-19. De acordo com uma nova parte da pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês), divulgada nesta quarta-feira (3), as novas encomendas retrairam num ritmo sem precedentes e houve também uma intensificação das perdas de emprego.

O IHS Markit informou que o PMI de serviços do país ficou em 27,6 em maio, somente um pouco acima da mínima histórica de 27,4 em abril e permanecendo bem abaixo da marca de 50 — que separa crescimento de contração.

“As esperanças de qualquer rápida recuperação da pandemia estão começando a evaporar conforme várias empresas informam reduções de sua força de trabalho como parte dos esforços para controlar os custos e obter alguma margem de proteção em momento de rápida queda das vendas”, destacou o diretor econômico do IHS Markit, Paul Smith.

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As limitações sobre a demanda devido às medidas de isolamento por causa do coronavírus pesaram fortemente sobre a demanda e os novos negócios, tanto no mercado doméstico quanto no externo.

As novas encomendas recuaram em maio pelo terceiro mês seguido e a uma nova velocidade recorde da pesquisa, enquanto os pedidos para exportação continuaram a recuar com força, embora não no mesmo ritmo do recorde de abril.

Com menor fluxo de trabalho, as empresas optaram por reduzir novamente o número de funcionários, movimento que em maio se intensificou e ocorreu à segunda mais forte taxa da história da pesquisa, no terceiro mês seguido de perdas.

Os custos operacionais continuaram a aumentar, mas no ritmo mais fraco em mais de cinco anos e meio, com evidências ainda de preços mais baixos dos combustíveis, porém aumento dos preços de equipamentos de proteção individual.

Com a demanda em baixa e na tentativa de manter os clientes, os fornecedores de serviços ofereceram descontos durante o mês, na segunda vez seguida em que os preços cobrados foram reduzidos.

Com isso, os fornecedores de serviços brasileiros permaneceram pessimistas sobre o futuro pelo terceiro mês seguido, embora não no mesmo nível que em abril. Continuam as preocupações com o impacto da pandemia a longo prazo na atividade e no desempenho empresarial.

O PMI Composto do Brasil melhorou em maio pela primeira vez em quatro meses, mas ainda continua sinalizando contração da atividade do setor privado ao marcar 28,1, ante mínima recorde de 26,5 em abril

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