Poupança antiga rende mais que o dobro da atual; saiba qual delas você tem

Bancos são obrigados a discriminar se o seu saldo na poupança corresponde ao regime antigo ou ao novo, separando em contas diferentes caso tenha as duas

Foto: Pixabay

Matheus Prado, do CNN Brasil Business, em São Paulo

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Modalidade de investimento mais popular no Brasil, a poupança, que nunca foi unanimidade entre os especialistas, perdeu ainda mais atratividade nos últimos anos. Isso porque a taxa básica de juros atingiu sua mínima histórica, de 2% ao ano, e acabou de derrubar a rentabilidade do ativo que já havia sofrido com mudanças regulamentares.

Este cenário se mantém inalterado mesmo após duas altas consecutivas de 0,75 ponto percentual na Selic, que levaram a taxa a 3,5% ao ano, e possíveis novos ajustes no referencial. Ou seja, continua sendo mau negócio manter o seu dinheiro ali –a não ser que você tenha a poupança antiga, diz o professor de finanças do Insper e sócio da Casa do Investidor, Michael Viriato. Entenda.

No dia 4 de maio de 2012, passou a valer a Lei 12.703, que dispôs sobre mudanças na remuneração da poupança. Funciona assim:

  • Se a taxa básica de juros estiver menor ou igual a 8,5% ao ano, a poupança renderá 70% da Selic + Taxa Referencial (que está zerada no momento);
  • Se a taxa básica de juros for maior que 8,5% ao ano, a poupança terá a rentabilidade de 0,5% ao mês + TR.

Antes da mudança, no entanto, a modalidade pagava sempre 0,5% ao mês + TR, o que dá um rendimento mínimo de 6% ao ano. Com isso, aqueles que ainda têm depósitos realizados do dia 3 de maio de 2012 para trás possuem uma rentabilidade quase três vezes maior que a atual, de 2,45% ao ano.

“Quem depositou o recurso antes da data [3/5/12] tem a garantia da rentabilidade em 0,5% ao mês mais TR. Com isso, atualmente é melhor manter o recurso na poupança do que num ativo com rentabilidade de 100% do DI, pois com a Selic no atual patamar de 3,5% ao ano e expectativa de chegar a 5,5% ao ano, renderá mais”, diz Marco Harbich, planejador financeiro CFP pela Planejar.

Como descobrir qual é a minha poupança? 

Segundo indica a mesma lei de 2012, os bancos são obrigados a discriminar se o seu saldo na poupança corresponde ao regime antigo ou ao novo, separando em contas diferentes caso o cliente possua as duas.

Além disso, qualquer saque priorizará o dinheiro mais recente, mantendo aportes mais antigos em conta.

E se a Selic continuar subindo? 

“A remuneração (da nova modalidade) será maior somente se a Selic passar do nível de 8,5% ao ano. Até lá, continuará rendendo 70% da Selic + TR. Atualmente, quem tem recursos aplicados na poupança [nova] está perdendo dinheiro, pois o ganho real (rentabilidade além da inflação) está negativo”, diz Harbich. 

“Ou seja, o investidor está perdendo poder de compra. Com a expectativa de a Selic chegar a 5,5% ao ano, a rentabilidade da poupança também subirá. Porém, com a expectativa da inflação em 5% para o final deste ano, a rentabilidade real continuará negativa.” 

A Taxa Referencial (TR) pode voltar a subir?

O indicador foi criado durante o governo de Fernando Collor, com o objetivo de auxiliar no controle da inflação e servir de referência na economia. Atualmente, a TR é uma taxa de juros que serve de referência na economia e que interfere em algumas aplicações financeiras, tais como: caderneta de poupança, Tesouro Direto, FGTS e financiamento imobiliário. 

Ela está zerada desde 2018, por conta da queda na taxa de juros, e dificilmente voltará a ser positiva no curto prazo. Para se ter uma ideia, em 2016, quando a Selic esteve em 14,25%, a TR ficou em 2,01%.

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