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    Preços de produtos básicos cresceram acima da inflação durante a pandemia, diz IBPT

    População de menor renda é a mais afetada pela alta dos produtos considerados básicos

    Mulher compra carne em açougue em Santo André
    Mulher compra carne em açougue em Santo André 01/10/2019 REUTERS/Amanda Perobelli

    André Cattoda CNN

    em São Paulo

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    Os preços de 40 produtos básicos tiveram, em média, crescimento 29,44% acima da inflação entre abril de 2020 e outubro de 2021, de acordo com cálculos do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), divulgados nesta quarta-feira (16). Nesse período, a inflação acumulou alta de 12,53%, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

    O principal vilão foi a carne bovina, com aumento de 146,23%, o que representa uma diferença de 133,70% em relação à inflação.

    Outros produtos que registraram alta foram a farinha de mandioca (kg), com aumento 102,40% acima da inflação, o papel higiênico (+89,16%), o açúcar (+77,68%,) e a água mineral, com acréscimo de 73,18%. A argamassa também teve um crescimento expressivo, de 60,18%.

    “Os sucessivos aumentos nos preços mostram que a inflação sentida no bolso dos brasileiros está muito acima da oficial, ainda mais se considerarmos que apenas quatro dos 40 produtos tiveram uma variação de preço menor que o IPCA [Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo]”, afirma o presidente-executivo do IBPT, João Eloi Olenike.

    Os únicos produtos com variação de preço abaixo da inflação foram canetas esferográficas (-6,72%), sandálias (-5,69%), cuecas (-2,43%) e cadernos de 10 matérias (-1,62%).

    Para professor de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Joelson Sampaio, três principais aspectos justificam a alta no Brasil.

    “Primeiro, a pandemia de Covid-19, que causou um choque na oferta global e, consequentemente, diminuiu o abastecimento de produtos. Também o clima, com destaque para a crise hídrica, que afetou fortemente a produção agrícola. Há ainda a questão do câmbio, que, desvalorizado, deixou o custo de produção mais alto”, explica.

    Sampaio destaca que a população de menor renda é a mais afetada pela alta dos produtos considerados básicos. “Acaba sendo quase um imposto adicional.”

    “Apesar das poucas alternativas para fugir da alta, o consumidor continua tendo a pesquisa de preços como uma aliada fundamental. Além disso, tentar manter um bom controle financeiro também pode ajudar a minimizar esses impactos”, conclui.

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